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Date ou Debate: Quando o Preconceito Religioso Atrapalha Conexões

[...] fiz o que qualquer pessoa educada faria, mantive um sorriso nervoso no rosto...

Date ou Debate: Quando o Preconceito Religioso Atrapalha Conexões
Imagem Internet

Sabe aquele domingo em que você só queria uma boa companhia, uma cerveja gelada e uma bela conversa. Esse era o plano quando aceitei sair de casa na minha folga para conhecer um gatinho direto do cardápio universal dos encontros alheios. Minha ideia era encontrar um cara descolado, com cara de praia, dono de uma fábrica de biquíni, mas o que me esperava era um fervoroso pregador evangélico… e o encontro desejado virou um drama maluco.


Como um perfeito cavalheiro, veio me buscar na minha casa. Como sempre me arrumei e com meu melhor sorriso, vesti vestidinho que mostrava que tenho estilo. Ainda no carro me fez a pergunta fatídica e que iria ser o embate da noite. – Qual a sua religião? Sou Espirita Kardecista! Ele já se virou com um olhar que parecia misturar curiosidade e… bem, muita condenação. Assim que ele abriu a boca, percebi que o “date” estava mais para um “debate”. 


“Você sabia que falar com os mortos é pecado?” Ele começou, como se estivesse revelando a fórmula da Coca-Cola! “E por isso você está condenada a ir para o inferno?” Minha mãe sempre declara isso quando lê meus textos! Nunca fui condenada por outra prática religiosa. Quase desmaiei! Meu pensamento foi: “O que é isso, gente?! A Bíblia não diz nada dessa magnitude!”.


Aí eu pensei: “Calma, você é uma mulher moderna e cheia de argumentos.” Então, respirei fundo e saquei a carta: “Mas Jesus não falou com os discípulos depois de morto? E as manifestações do Espírito Santo?” Ele me olhou como se eu tivesse declarado que sou fã do Justin Bieber. Ele não estava preparado para essa montanha-russa de lógica!




Mas não parou por aí. Ele começou a atacar Chico Xavier e Allan Kardec como se eles fossem os vilões do próximo filme de terror. A minha vontade era de me levantar e sair correndo mas, afinal, toda garota deve manter a classe, né? Então fiz o que qualquer pessoa educada faria, mantive um sorriso nervoso no rosto enquanto encerrava diálogos com os mortos mentalmente.


E, claro, ele não poderia faltar com seu show particular. Em um momento, ele começa a cantar louvores! O pobre coitado nem percebeu que o único lugar onde eu realmente queria estar era embaixo da mesa, tentando me esconder da situação constrangedora. Eu só pensava: “Supera, garota, é só um encontro, você não precisa se encolher, a vida é feita de desafios!”


Então ele disse que não acreditava em psiquiatras e psicólogos. Aí, meu amor, a coisa ficou séria. Não resisti e soltei que tinha Síndrome de Asperger. O homem ficou visivelmente nervoso, como se eu tivesse jogado um balde de água benta nele. Sua expressão era digna de uma pintura renascentista: horrorizada e confusa ao mesmo tempo. 


Resumindo, depois de uma hora interminável de argumentos “divinos” e louvores improvisados, percebi que o melhor seria terminar aquilo ali com dignidade. Olhei para ele e disse: “Olha, eu realmente admiro sua fé, mas acho que nossa sintonia espiritual não bate muito bem. Que tal eu me comunicar com os mortos de novo e pedir para eles me ajudarem a achar uma pessoa que aceite meus amigos espíritas?”


E saí do encontro sentindo que, por mais cômica que fosse a experiência, pelo menos sempre vou ter boas histórias para contar. E quem sabe, um dia, achar alguém que goste de espíritos — e de mim — sem precisar fazer uma cruzada disso! O presente do Papai Noel desse ano não foi dessa vez.



Edna Loreto

Médica Veterinária

Colunista

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