Dia do Pedagogo: Resistência e Esperança em uma Profissão Desvalorizada
[...] Ensinar tornou-se um ato de coragem.
Celebrado em 20 de maio, o Dia do Pedagogo nos convida à reflexão sobre uma das profissões mais fundamentais para a construção de qualquer sociedade: a de quem ensina, cuida e forma cidadãos desde a infância. No entanto, apesar de sua importância inegável, o pedagogo — e, por extensão, o professor — segue sendo uma das profissões mais desvalorizadas do Brasil, tanto do ponto de vista econômico quanto social.
Historicamente, a pedagogia no Brasil ganhou força com os movimentos educacionais do século XX, especialmente a partir das ideias de educadores como Anísio Teixeira, Paulo Freire e Darcy Ribeiro, que defendiam uma escola pública, democrática e voltada para a emancipação do povo. A pedagogia, portanto, nunca foi apenas um ofício técnico, mas um ato político e de resistência, sobretudo em um país marcado por profundas desigualdades sociais e raciais.

Apesar disso, os profissionais da pedagogia seguem enfrentando baixos salários, jornadas exaustivas, condições precárias de trabalho e, não raro, a deslegitimação de seu saber. A lógica do mercado e a falta de investimentos em políticas públicas transformam o espaço escolar em um campo de batalhas diárias, onde se tenta ensinar com pouco, resistir com quase nada e sonhar com muito.
A desvalorização da profissão docente não é acidental: é reflexo de uma estrutura que teme e tenta silenciar o poder transformador da educação. Ao desvalorizar o pedagogo, desvaloriza-se o futuro do país. Afinal, não há médicos, engenheiros, artistas ou cientistas sem um professor que, lá atrás, ensinou a ler, a escrever e a pensar.
Ser professor, hoje, é muito mais do que ensinar conteúdos escolares. É ser mediador de sonhos, guardião da esperança e resistência viva em um sistema que, muitas vezes, insiste em negligenciar a educação. Em meio à desvalorização salarial, à sobrecarga de trabalho e à falta de estrutura, o professor segue, dia após dia, plantando sementes de conhecimento e humanidade.

Vivemos tempos em que o acesso à informação é abundante, mas o reconhecimento ao papel do educador é escasso. O professor precisa ser psicólogo, assistente social, conselheiro, criador de metodologias e, ainda assim, manter o brilho nos olhos para não deixar morrer o desejo de transformar vidas por meio do saber.
Ensinar tornou-se um ato de coragem. É preciso enfrentar a indiferença das políticas públicas, o desrespeito de parte da sociedade e as desigualdades que atravessam a sala de aula. Mas, apesar disso, é também um ato de amor. Porque, quando um estudante descobre sua potência, quando um olhar se acende diante de uma nova ideia, o professor sente que valeu a pena.
Ser professor nos dias de hoje é desafiar a lógica do imediatismo com a paciência da formação. É construir futuro num país que insiste em viver de passado. É, sobretudo, acreditar que educar ainda é a mais revolucionária das ferramentas de mudança. E, por isso, é impossível não admirar quem escolhe, todos os dias, continuar ensinando.

Neste Dia do Pedagogo, mais do que flores ou homenagens vazias, é preciso reconhecer que a valorização da pedagogia passa por políticas sérias de investimento em educação, pela escuta real desses profissionais e pelo respeito ao saber pedagógico como base de uma sociedade mais justa, crítica e humanizada.
Ser pedagogo no Brasil é um ato de coragem. E celebrar essa data é, também, reafirmar que ensinar é resistir.
Liziane Borges

Psicopedagoga
Colunista
Apresentadora do Cabaré, Baile da Preta
e Agô Podcast
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