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Maternar Não É Receita de Bolo

[...] a vida, por si só, já é única demais pra caber em qualquer fórmula. Imagina, então, a maternidade.

Maternar Não É Receita de Bolo
Imagem Internet/Unsplash

Hoje em dia, é impossível entrar nas redes sociais sem tropeçar em um novo manual sobre como criar filhos. Tem dica pra tudo: como responder a uma birra, como introduzir alimentos, como falar, como olhar, como respirar ao lado de uma criança. E no meio de tanta regra, nasce a comparação. E, junto dela, a culpa.


Mas a verdade é que a vida, por si só, já é única demais pra caber em qualquer fórmula. Imagina, então, a maternidade.


Eu não sou a educadora parental da moda, nem a especialista em educação positiva com voz calma e casa em tons pastéis. Também não sou a mulher de 50 anos com três filhos adultos que acha que a criação dela é a régua do mundo e que todo o resto tá errado. Eu sou eu. E o meu maternar vem da minha história, da minha dor, da minha coragem e do meu instinto.


Eu passei por um aborto. Depois, tive um filho que morreu com um ano e um mês. Agora, tenho uma filha de seis meses que me olha como se eu fosse o começo de tudo. Então não, eu não vou ceder. Não vou comparar o meu maternar com nenhum outro. Porque só eu sei o que carrego no corpo e no coração.


A única coisa que, pra mim, deveria ser consenso na maternidade e na paternidade é a não violência. Nem nas palavras, muito menos no toque. Porque não dá pra fingir que tá tudo bem quando a gente vê uma criança sendo agredida por ser... criança. Por se sujar, por falar um palavrão que só repetiu de alguém, por mentir numa tentativa desesperada de se proteger de mais dor.


A violência gera medo. E o medo gera silêncio, mentira, raiva, culpa. A criança não deixa de amar quem bate. Ela deixa de se amar. E isso é de partir qualquer coração que ainda sente.


De resto, faz do teu jeito.

Com presença, com escuta, com falha e conserto.

Com abraço que demora.

Com pedido de desculpa quando exagera.

Com carinho quando não sabe o que fazer.

Com olhos que olham de verdade.


Porque não existe jeito certo de ser mãe.

Existe o teu. E é por ele que teu filho vai se lembrar de ti.



Amanda Beatrice

Taróloga

Colunista

Apresentadora

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