Maternidade Atípica
No mês das mães, impossível não falar – e não se emocionar – com o tema.
Como já comentado em outros textos, existe uma expectativa durante a gestação sobre o “filho perfeito”. Também já comentado anteriormente que quando “o diagnóstico vem”, as coisas se “encaixam”, pois, começam a surgir algumas respostas para aquelas dúvidas.
Nesse sentido, digo que já ouvi em círculos de mães a expressão: “a mãe sempre sabe” e, realmente, é algo que concordo (salvo raríssimas exceções). A mãe sempre sabe, a mãe sempre sente, a mãe sempre percebe, a mãe sempre nota e na gritante maioria dos casos, a mãe sempre se culpa por ter um filho atípico.
As mães, em sua vasta maioria, contam uma histórica parecida: foram em vários médicos, muitas vezes sendo desacreditadas, inclusive pelos genitores que - muitas vezes - negam cabalmente as patologias dos filhos (especialmente as de ordem psiquiátrica). Inclusive, dados mostram que até o 5º ano da criança, 72% dos pais de crianças com deficiência vai embora de casa.
Diante de tudo isso, pergunto: quem cuida da saúde mental mãe atípica?
Necessário pontuar que as mães (sim, inegavelmente as mães são maioria nos consultórios), dividem-se entre terapias, escola, trabalho, casa, casamento e tempo para si, o que causa esgotamento e o adoecimento materno.
O Estado não cuida, o companheiro vai embora, a família, os padrinhos, os tios... Pouco se vê, efetivamente, a rede de apoio atípica. Fica com a mãe a responsabilidade, sendo a dor e o abandono absolutamente democráticos, visto que “pegam” todas as cores, classes sociais, bairros e cidades.
Torna-se a mãe uma tradutora, interlocutora... o elo do filho com o mundo. A mãe que um dia fez planos do “filho perfeito”, na imensa maioria dos casos, precisa revisitar suas expectativas e aprender meios de como se conectar com aquela criança. Algumas idealizavam fazer bolos aos domingos com o filho, mas ele tem resistência alimentar e não come nada além de alimentos amarelos crocantes, feitos na airfryer.
Outras idealizavam várias conversas e cantarolar músicas, mas ele é não verbal. Outras se imaginam abraçando e beijando, mas ele tem aversão ao toque físico. Os exemplos são muitos, e a frase “cada pessoa autista apresenta características, desafios e habilidades únicas, tornando-se individual dentro do espectro” faz absurdo sentido.
Assim mãe trava uma incessante e incansável luta para o desenvolvimento do filho, buscando habilidades e aptidões, visando proporcionar um melhor futuro para os filhos.
Mãe atípicas, sintam-se abraçadas!
Procurem ajuda especializada.
Grande beijo, espero que este texto te faça refletir um pouquinho e ver que não está sozinha.
Luana Collet

Advogada
Colunista
Apresentadora do Café com Lei
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