Nova Pesquisa Aponta que 84% da População Preta no Brasil Já Sofreu Discriminação
Se uma ministra do Tribunal Superior Eleitoral sofre racismo estrutural dentro da própria instituição, imagine como vivemos nós os PRETOS da base da pirâmide social?
Se uma ministra do Tribunal Superior Eleitoral sofre racismo estrutural dentro da própria instituição, imagine como vivemos nós os PRETOS da base da pirâmide social?
Talvez seja um pouco difícil para a maioria entender, o que estou sentido agora. Mais uma vez vindo aqui para falar sobre racismo. E o pior de tudo continuar ouvindo em todos os cantos desse país imenso, que “racismo não existe” e que houve apenas “um mal-entendido”. Já pararam para pensar na vida da ministra Vera Lúcia, o que essa mulher preta passou para ocupar um cargo de suma importância para a democracia brasileira? Dói vir comentar fatos como esse, mas nosso repúdio é mais que necessário neste momento, onde precisamos unir forças para combater e punir atos racistas.
O racismo é uma cruel realidade em todo o território, está enraizado nas estruturas e na história de um povo que ainda desconhece sua própria história. É considerado crime, mas quem de fato punido por ser racista? Poucos! O que nos deixa ainda mais horrorizados. Perplexos como se referiu a própria ministra diante do caso.
Segundo recente pesquisa realizada pela Vital Strategies e pela Associação Umane, com apoio do Ministerio da Igualdade Racial, 84% das pessoas pretas entrevistadas relatam já ter sofrido discriminação racial e no mínimo metade (42%) se sente desrespeitada. E 57% diz passar por situações piores dentro de estabelecimentos.
“Essas agressões cotidianas muitas vezes elas são difíceis de serem nomeadas e de serem, às vezes, até percebidas. Mas quem é negro sabe e percebe. É algo que não tá legal, é um olhar diferente, é um tom diferente na voz. Mas acredito muito que a educação, combinada com outras políticas públicas, pode ser a transformação que a gente precisa”, afirma a diretora da Action Aid, Ana Paula Brandão.
A pesquisa ainda diz que as mulheres negras são o grupo que mais sofre com as discriminações, 72%. Entre os homens negros, 62,1%. A pesquisa coletou informações pela internet de 2,5 mil pessoas e fui publicada na última quarta feira (21).
Voltando a esfera do judiciário, recordo-me da fala do doutor em Sociologia Renan Bulsing, da UFFGS:
“Enquanto não tivermos, no universo do direito, um percentual de pessoas negras equiparável ao percentual delas na população, continuaremos com um universo jurídico permeado pelas crenças e representações da branquitude.”
Fiz questão de trazer as palavras do doutor, para mostrar que não estou louco, pois durante 13 anos trabalhei como terceirizado no Judiciário, raramente vi um advogado negro atuar (embora houvesse estudantes negros no Direito), nunca vi um magistrado negro, um escrivão negro ou qualquer outro cargo dentro do Poder Judiciário ocupado por negros. O que mostra que o sistema de Justiça do Brasil ainda é de fato regido pela branquitude, não havendo representatividade, o que em grande parte leva a sensação de impunidade na hora da tomada de decisão sobre o crime.
O que fazer diante disso? Letrar racialmente todas às pessoas, por exemplo, seria um bom início. Mas será que pesquisas como essa têm espaço na mídia? Obviamente que não! Vivemos em um país preocupado em legislar sobre “bebês reborn” em vez de buscar sanar problemas tão profundos como o racismo e a fome. Que País é Esse?
Jeff Soares

Músico
Jornalista
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
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