Ainda Dá Tempo?
[...] Admitir que algo dói — quando todos parecem felizes — se torna um ato de resistência.
Vivemos em uma era de conexões constantes, as telas exibem vidas perfeitas, sorrisos editados e felicidades que raramente mostram rachaduras. Mas por trás dos smartphones, a dor emocional cresce em silêncio — e muitas vezes, sem pedir licença, se instalando profundamente, às vezes, definitivamente.
A depressão e os pensamentos negativos não surgem como um trovão que rompe o céu. São como uma névoa, que chega discreta, e aos poucos, vai tornando tudo invisível. O desânimo é facilmente confundido com o cansaço, se isolar vira sinônimo de “preciso de um tempo”, e o sorriso que agora é forçado se transforma na armadura de um imenso vazio.
Há um grande desafio em reconhecer que as coisas não vão bem, mas principalmente em manter à nossa força, a autoestima e a positividade. Admitir que algo dói — quando todos parecem felizes — se torna um ato de resistência. E é justamente nesse ponto que muitos desistem. Não por fraqueza, mas por cansaço.
Mas quanto tempo temos? Ainda dá tempo?
Apesar do peso de fazer uma escolha, sim ainda dá tempo. Dá tempo de parar. De respirar. De pedir ajuda, mesmo sem a firmeza de outrora. Ainda dá tempo de aceitar que a vulnerabilidade não diminui ninguém — pelo contrário, é nela que mora a coragem de recomeçar.
A vida mostra todos os dias, pessoas que, por um fio, quase desistiram de tudo, mas um gesto inesperado, uma conversa, um abraço apertado, um olhar sem julgamento, o sorriso de um estranho, o acorde de uma canção, bastam para mudar uma rota que aparentemente não tinha saída.
Meus amigos, amar a si mesmo não é egoísmo é sobrevivência, dizer não ao outro sem se sentir culpado é libertador. Precisamos compreender que merecemos o cuidado e o carinho que oferecemos aos outros. Precisamos sentir as dores e entender que elas são válidas, que o fundo do poço é real, mas que também existem escadas para a nossa ascensão.
Ainda dá tempo, precisamos reforçar nossa saúde física, mental, emocional e espiritual, sobretudo, garantir o direito de ser ouvido, isso pode ser um ponto de partida para a nossa recuperação. Precisamos falar, ouvir, cuidar. Saúde não é luxo, nem modismo. É necessidade.
Se você acha que o mundo perdeu a cor, que as flores perderam o perfume, que à vida não tem mais sentido, estou te garantindo, ainda dá tempo, ainda dá pra viver o que nos permitido na felicidade neste mundo. Dá tempo, sejamos conscientes e mais leves. Perdoe-se, faça as pazes com você mesmo, rompa as barreiras e as amarras emocionais que te impedem de evoluir, e para isso será necessário coragem, porque vai doer, mas irá te libertar.
A vida não é perfeita, não é um comercial de margarina, por vezes é difícil, mas à vida presta. Ainda dá tempo!
Jeff Soares

Músico
Jornalista
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
Comentários (0)