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Ludomania: O Jogo que Vira Doença Silenciosa

O que começa como diversão, pode virar dependência — e destruir vidas.

Ludomania: O Jogo que Vira Doença Silenciosa
Imagem Internet/Unsplash

Antigamente, poderíamos começar falando sobre o som das máquinas e do barulho das fichas, da emoção de uma aposta certeira, hoje tudo se encontra na palma da sua mão. Para grande parte das pessoas, o jogo é apenas entretenimento, para outros é o início de um abismo silencioso. A ludomania – também conhecido transtorno do jogo é uma condição psicológica série e progressiva, caracterizada pela compulsão por jogos de azar.


No Brasil, a ludomania ainda é subnotificada e, muitas vezes, banalizada. As pessoas ainda acham que o vício em jogo é falta de vergonha ou caráter. Não é. É uma doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Segundo dados da OMS, cerca de 1% a 3% da população mundial pode ser afetada pela ludomania. No Brasil, com o avanço das plataformas de apostas esportivas online e a recente legalização parcial dos jogos, o número de casos tende a aumentar. Especialmente entre os jovens.


Com a pandemia e a popularização dos cassinos virtuais, apostas esportivas, bets, entre outros, o acesso ao jogo ficou ainda mais fácil. E anônimo. A tecnologia permite que as pessoas joguem sem sair de casa, sem que ninguém perceba, agravando o quadro de isolamento e dificultando o diagnóstico.




Dados comprovam que parte dos usuários de plataformas digitais acumulam dívidas superiores a R$ 20 mil reais, em menos de um ano. O vício funciona de maneira similar ao de outras dependências químicas: há tolerância (a necessidade de apostar mais), abstinência (ansiedade, irritação ao não jogar) e recaída. O jogo oferece ao cérebro doses generosas de dopamina, o que gera sensação de recompensa imediata — e reforça o comportamento.


A ludomania pode se manifestar através da perda do controle sobre o tempo e o dinheiro gasto em jogos, mentiras para encobrir o comportamento, dificuldades financeiras sem explicação aparente, afastamento social e irritação. O transtorno tem tratamento. Terapias cognitivo-comportamentais, uso de medicamentos para ansiedade e depressão, além de grupos de apoio como os Jogadores Anônimos, têm mostrado bons resultados.


Em países como Canadá, Reino Unido e Austrália, a ludomania já é tratada como questão de saúde pública, com campanhas de prevenção, controle de publicidade e suporte psicológico gratuito. No Brasil, os debates ainda caminham a passos lentos. Principalmente pela banalização e espetacularização promovida pelas Comissões Parlamentares de Inquérito. 


Não esqueça, à aposta mais importante é pedir ajuda! Reconhecer que há um problema é o primeiro passo — e talvez o mais difícil. Se você ou alguém próximo estiver enfrentando dificuldades com jogos, procure ajuda profissional. A ludomania é uma doença — e, como toda doença, precisa de diagnóstico, cuidado e acolhimento.




Jeff Soares


Músico 

Jornalista

Apresentador do Aqui de Casa Podcast



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