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A Supervalorização dos Materiais Artísticos Ligados às Religiões de Matriz Africana

[...] A arte sempre foi uma forma poderosa de expressão religiosa.

A Supervalorização dos Materiais Artísticos Ligados às Religiões de Matriz Africana
Arte: Ani Ganzala (2022)

Nas últimas décadas, observa-se um aumento significativo na visibilidade e na valorização de materiais artísticos ligados às religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda. Essa ascensão representa não apenas um fenômeno estético, mas também político e social, marcado pela luta contra o racismo, a intolerância religiosa e a marginalização cultural histórica que essas tradições enfrentaram no Brasil.


A arte sempre foi uma forma poderosa de expressão religiosa. No caso das religiões afro-brasileiras, elementos como esculturas de orixás, roupas ritualísticas, colares de contas (guias), pinturas e músicas desempenham um papel central em seus rituais e simbolismos. No entanto, por muito tempo esses elementos foram relegados à invisibilidade ou vistos com preconceito. Hoje, eles estão sendo reinterpretados como manifestações legítimas da cultura brasileira e ganham espaço em museus, exposições, moda, design e nas mídias.


Exemplos disso são cantores já consagrados colocando em seus álbuns canções que remetem ou falam tratam diretamente sobre as cantigas e cultura afro- brasileira, o mais recente é o álbum Giramundo da cantora Majur, que traz de maneira leve e bem futurista cantigas dos Orixás do Candomblé de Exu a Oxalá, cada vez mais artistas plásticos trazendo para suas obras a vida e ação dessas entidades artistas como Ani Ganzala @ganzalarts no instagram, que traz imagens inspiradas na natureza, no amor afrocentrado e os elementos de cada Orixá, outro exemplo é o @atelierFabianoFernandes que traz sua força ancestral através de pinturas em peças de vestuário e telas.


Sérgio Laurentino como Exu, no filme Besouro, 2009


Esse reconhecimento é impulsionado, em parte, pela crescente valorização das culturas afrodescendentes e pelos movimentos sociais que reivindicam espaço para as identidades negras e suas expressões culturais. Artistas contemporâneos negros e negras têm protagonizado essa transformação, utilizando referências religiosas em suas obras para afirmar suas origens, questionar estruturas de poder e promover o respeito à diversidade religiosa.


Além disso, a ascensão desses materiais contribui para uma reeducação cultural e espiritual de extrema importância para a sociedade. Ao serem apresentados de forma estética, respeitosa e autêntica, esses elementos desconstroem estigmas e promovem o conhecimento sobre tradições frequentemente mal compreendidas. Isso é fundamental em um país como o Brasil, onde a liberdade religiosa é garantida pela Constituição, mas nem sempre respeitada na prática, além do reencontro com a ancestralidade perdido ( apagado pelo eurocentrismo).


Portanto, a crescente presença dos materiais artísticos ligados às religiões de matriz africana deve ser celebrada. Ela representa não apenas um avanço na valorização da arte afro-brasileira, mas também um passo importante na construção de uma sociedade mais plural, consciente e respeitosa com suas múltiplas raízes culturais.




Ninha Sousa

Apresentadora do Mixto Quente

Hora da Pelúcia e Rock D'elas

Assistente de Necropsia

Colunista

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