O Descaso da Gestão Municipal com os Profissionais da Educação em Salvador
[...] É preciso denunciar esse descaso e mobilizar a sociedade para a defesa da educação pública e dos seus profissionais.
Em Salvador, a educação pública vem enfrentando um período de grave desvalorização. À frente da gestão municipal, o prefeito Bruno Reis tem se mostrado indiferente às demandas históricas dos profissionais da educação, especialmente no que diz respeito à valorização salarial e ao respeito aos direitos garantidos por lei. Um dos principais pontos de conflito tem sido a não concessão do piso salarial nacional do magistério — um direito legal conquistado com muita luta pela categoria.
O piso salarial não é um favor, é um direito. Negá-lo significa violar a Lei Federal nº 11.738/2008, que estabelece o valor mínimo a ser pago aos professores da educação básica. Em Salvador, no entanto, os educadores seguem enfrentando resistência por parte da gestão municipal, que insiste em adiar ou ignorar o cumprimento integral desse direito. Isso compromete não apenas a dignidade dos profissionais, mas também a qualidade do ensino ofertado às crianças e jovens da cidade.

Como se não bastasse esse desrespeito, em 2025 foi sancionada a Lei Municipal nº 9.865/2025, representando um verdadeiro retrocesso no plano de carreira do magistério. A nova legislação desmonta conquistas históricas da categoria, precariza ainda mais as condições de trabalho e inviabiliza a progressão funcional de milhares de professores. Em vez de uma carreira estruturada, baseada na valorização por tempo de serviço e formação continuada, os educadores se deparam agora com um cenário de incertezas e desmotivação.
Um professor da rede municipal, que preferiu não se identificar por medo de retaliações, desabafa:
“É revoltante! Trabalhamos com dedicação, muitas vezes tiramos dinheiro do bolso para garantir o mínimo em sala de aula, e o que recebemos em troca é desprezo. O prefeito Bruno Reis não nos escuta, não negocia, apenas impõe medidas que nos prejudicam. É como se fôssemos invisíveis.”
Esse sentimento de abandono não é isolado. Tem eco em centenas de profissionais que lutam diariamente para manter a educação viva nas escolas públicas, mesmo sem condições adequadas de trabalho. A Lei nº 9.865/2025, por sua vez, tem sido duramente criticada por especialistas e sindicatos, que apontam que a nova política de carreira rompe com os princípios de valorização profissional previstos na Constituição e desestrutura o serviço público ao enfraquecer a motivação e o compromisso dos educadores.

“A Lei 9.865/2025 representa um projeto de desmonte. Ela não foi construída com diálogo e retira direitos duramente conquistados. É um ataque direto à dignidade do magistério e à própria qualidade da educação pública em Salvador”, destaca uma dirigente sindical.
Enquanto o prefeito Bruno Reis prioriza obras e investimentos com fins eleitoreiros, os educadores são deixados à margem, com salários defasados, jornadas exaustivas e direitos retirados. É preciso denunciar esse descaso e mobilizar a sociedade para a defesa da educação pública e dos seus profissionais. Porque sem professor valorizado, não há educação de qualidade.
Liziane Borges

Psicopedagoga
Colunista
Apresentadora do Cabaré, Baile da Preta
e Agô Podcast
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