A Difícil Arte de Ser Mulher: Reflexões Sobre um Relacionamento Tóxico no Trabalho
[...] não aceito menos do que mereço.
Eu sempre acreditei que a vida profissional deveria ser pautada pelo respeito e pela igualdade, mas minha experiência de trabalho me fez enxergar um lado completamente diferente das relações entre homens e mulheres. Um dos relacionamentos mais tóxicos que já enfrentei não foi em um campo amoroso, mas sim dentro do ambiente de trabalho. E, queridos, isso é só a ponta do iceberg quando falamos sobre a complexa dinâmica de gênero das nossas vidas.
É complicado — para não dizer doloroso — perceber que existe uma crença enraizada de que nós, mulheres, nascemos para sermos manipuladas, persuadidas e, posso até dizer, iludidas. Ao longo da minha trajetória profissional, eu senti na pele essa sombra perversa. Era como se houvesse uma cortina que tentavam puxar diante dos meus olhos, esperando que eu aceitasse qualquer ato como uma forma de “proteção”. Mas, vamos lá, que tipo de proteção é essa que vem à custa da minha dignidade?
Não é justo que precisemos lutar por nossos direitos de igualdade em um mundo onde ainda se acredita que devemos nos contentar com menos. Estamos aqui para nos sustentar, para sermos bem-sucedidas e para termos recompensas morais, éticas, financeiras e profissionais. Não estou aqui para me tornar uma marionete nas mãos de ninguém. Meu valor vai muito além de um olhar ou de um gesto gentil. O que eu quero é um reconhecimento real do meu trabalho duro e da minha competência.

A verdade é que meu poder de encantamento pelo sexo oposto despencou em ambiente profissional. Não preciso de romances ou de gentilezas. O que eu quero, e o que deveria ser o foco, é trabalhar e ser bem remunerada por isso. Eu não consigo entender como alguém pode se dizer meu "cuidador" quando estou entregando meu sangue e suor pela empresa. No mínimo que espero é ser respeitada por isso.
Quando alguém minimiza minha capacidade mental e intelectual, perdendo tempo com elogios superficiais ou com a ideia de que estou ali para ser “cuidada”, isso só me deixa ainda mais brava. O que essas pessoas não percebem é que estão ganhando dinheiro com a minha competência e meu nome, e não com o meu corpo ou com um “par de pernas” que, por sinal, não tem nada a ver com o que realmente importa.
Em resumo, ser mulher em um ambiente de trabalho ainda é uma arte difícil. A luta pela igualdade, pelo respeito e pela valorização do nosso verdadeiro potencial continua. E, a cada dia, é preciso que digamos: não aceito menos do que mereço. Porque o que queremos — e o que devemos lutar — é por um espaço onde possamos ser reconhecidas, não por nossa aparência, mas pela nossa inegável capacidade de contribuir e brilhar.
Edna Loreto

Médica Veterinária
Colunista
Apresentadora
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