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Me Dá Teu Deus Pra Cá: O Que Te Sustenta?

[...] Começa na tua mente.

Me Dá Teu Deus Pra Cá:  O Que Te Sustenta?
Imagem Internet/Unsplash

É fácil acreditar num Deus que mora longe. Que tá lá em cima, no céu, olhando tudo de longe, decidindo quem sofre e quem vence. Um Deus que resolve por ti. Que manda, que julga, que sabe o que é melhor. Dá um certo alívio, né? Tu vive tua vida, faz o que dá, e no fim diz: "tava nas mãos de Deus".


Mas e se eu te disser que não tá? E se eu te disser que quem decide a tua vida é tu mesmo? E que o que te sustenta agora, nesse exato momento, é tua mente?


Siddharta Gautama (Buda) descobriu isso e não mandou ninguém rezar pra ele. Nem criou religião. Nem se disse escolhido. Ele só olhou a dor do mundo e disse: “tem saída”. Mas não é mágica. É consciência. Ele ensinou quatro coisas, chamadas Quatro Nobres Verdades. Primeira: a vida tem dor. Segunda: essa dor vem do apego, da vontade de controlar tudo, do medo de perder. Terceira: dá pra sair disso. Quarta: tem um caminho pra isso, o Caminho Óctuplo. E esse caminho começa em ti. No jeito que tu pensa, que tu fala, que tu age. Começa na tua mente.


Tu percebe o que isso significa? Que tu não precisa esperar um milagre. Tu é o milagre.


Tá tudo no Dhammapada. Um livro cheio de frases curtas e diretas, que Buda deixou. Ele diz ali: “Tudo o que somos é resultado do que pensamos.” Então por que é que a gente segue entregando nossa vida nas mãos de um Deus fora, se é dentro que mora o poder de transformar? Porque é mais confortável. É mais fácil acreditar que a culpa é de Deus, ou do destino, ou do karma. Difícil mesmo é sentar, respirar, olhar pra dentro e perguntar: o que eu tô fazendo comigo?


O Budismo não é sobre céu ou inferno. Não é sobre certo ou errado. É sobre consciência. Sobre acordar. Sobre viver com presença. É uma filosofia. Um jeito de estar no mundo. E o Zen, então? O Zen não quer que tu acredite em nada. Quer que tu experimente. Que tu se observe. Que tu perceba o que acontece quando tu para. Quando tu silencia. Quando tu vê que não precisa de um Deus externo. Porque o que tu chama de Deus, talvez já more aí dentro, só esperando tu perceber.


A psicanálise também toca nisso. Na dor que tu esconde. Nas histórias que tu repete. No tanto que tu sofre calado. E também mostra que tem jeito. Mas pra isso tu precisa encarar. De frente. Sem fantasia. Assim como já fizeram antes de ti. Isso não é cobrança, é a prova de que é possível. 


Então me dá teu Deus pra cá.

Esse Deus que tu imagina lá em cima, vendo tudo.

Esse Deus que tu chama quando a dor aperta.

Esse Deus que tu espera que te salve.


Talvez ele só exista porque tu ainda não teve coragem de encontrar o que mora dentro de ti. Porque assumir que tu também é Deus assusta. Mas é a verdade.


A iluminação do Buda foi um recado claro: não precisa de salvador. Tu é capaz. Tu pode acender tua própria luz. Tu pode viver de um jeito mais leve, mais consciente, mais verdadeiro. Basta querer olhar pra dentro.


Deus não tá no altar.

Tá no silêncio da tua mente quando tu para de fugir.

Tá na hora de parar de procurar fora.

E começar a se encontrar.


Dito isso, parafraseando o teólogo — e meu pai — Claudiomar Pereira da Cunha: "Buda é o caminho para o Redentor".




Amanda Beatrice

Taróloga

Colunista

Apresentadora do Cartas Que Cantam

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