CPI das Bets: Soraya Thronicke Sob Ameaça
Relatório rejeitado, pressão e ameaças nos bastidores da CPI
A relatora da CPI das Bets, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), anunciou nesta sexta-feira que intensificou sua segurança pessoal após ser alvo de ameaças veladas, envios de dossiês e ligações intimidatórias nas vésperas da apresentação do relatório final da comissão.
Medidas tiveram de ser adotadas por segurança, como não ingerir alimentos, água ou café fornecidos pelo Senado por receio de envenenamento e manter sua segurança pessoal armada. A situação foi documentada em cartório e denunciada à Polícia Federal. Soraya afirmou ainda: “Se cair uma unha minha, de alguém da minha família ou da minha equipe, sei exatamente de quem é a culpa.” Embora não tenha citado nomes, ela disse conhecer a origem das ameaças.
O relatório final recomendava o indiciamento de 16 pessoas, entre empresários do setor de apostas, influenciadores digitais como Virgínia Fonseca e Deolane Bezerra, mas foi rejeitado pela comissão por 4 votos a 3. Mesmo assim, Soraya garantiu que encaminhará cópias do documento à PF, PGR, STF, ao Ministério da Justiça e ao próprio presidente Lula.
Nos bastidores da CPI, Soraya acusou o presidente Dr. Hiran (PP-RR) de boicotar a comissão, agindo supostamente a pedido do líder do PP, Ciro Nogueira, que teria interesses na investigação. Segundo ela, convocações de última hora e ausência deliberada de membros teriam sido estratégias para inviabilizar o avanço dos trabalhos. O conflito escalou após revelações sobre uma viagem de Nogueira em jatinho vinculado a um investigado da CPI.
O que está em jogo? O caso levanta suspeita e o risco de exposição de parlamentares. A rejeição do relatório, junto as pressões evidencia um jogo de interesses de políticos poderosos. No entanto, a situação da senadora revela a fragilidade das comissões parlamentares no Brasil, onde o cheiro de corrupção sobrepõe o ar.
Jeff Soares

Músico
Jornalista
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
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