A Nova Escalada da Intolerância Religiosa do Rio Grande do Sul
Depredação de Símbolo Religioso no Mercado Público de Porto Alegre e ataque a Terreiro em Lajeado refletem o medo e os desafios das Religiões de Matriz Africana!
Na noite de sexta (13/06), durante a celebração da 3ª Festa de Bará no centro de Porto Alegre, a imagem do orixá Bará — fixada em um andor e carregada por fiéis — foi depredada por um homem de 29 anos nas proximidades no Mercado Público. O ataque ocorreu enquanto o cortejo retornava ao interior do Mercado, momento em que o suspeito gritou “Em nome do Jesus, desgraçado” e desferiu um soco na imagem, quebrando suas pernas.
Pai Tiago de Bará imobilizou o agressor e acabou sofrendo ferimentos. O episódio foi registrado pela Brigada Militar e a Polícia Civil classificou o caso como crime de intolerância religiosa, com pena prevista de 1 a 3 anos, abrindo inquérito na Delegacia de Combate à Intolerância.
A imagem, foi produzida por um artista plástico para fortalecer a tradição afro-religiosa no espaço histórico e cultural do Mercado Público, oficialmente reconhecido como patrimônio imaterial da cidade.
Em Lajeado, um terreiro de culto afro-brasileiro foi alvo de ameaça feita por um morador que se dirigiu ao local armado com facão e portando uma arma de fogo, intimidando e assustando os presentes.
A denúncia foi registrada pela Mãe de Santa da Casa de Axé, que relatou o episódio e denunciou o crescimento de ações de intolerância no interior gaúcho. Apesar da gravidade, as investigações somente avançaram após pressão da comunidade e acionamento da Delegacia especializada, levantando questionamentos sobre a eficácia da resposta policial e proteção de minorias religiosas.
Ambos os casos evidenciam que símbolos e práticas das religiões de matriz africana são visados em locais públicos, muitas vezes sem repercussão imediata e as agressões são parte de um padrão crescente de violência religiosa no RS, que atinge manifestações simbólicas, imagens, terreiros e liturgias.
Esses atentados simbolizam não apenas atos isolados de violência à cultura afro-brasileira e à convivência plural. É preciso reverter esse cenário exigindo responsabilização efetiva, reconhecimento público e ações concretas para promover o respeito e a paz religiosa no Rio Grande do Sul.
A comunidade das religiões de matriz africana pede o seguimento das investigações e a punição dos agressores, além de solicitar proteção preventiva a possíveis ataques. Cabe ao Estado promover campanhas de educação e combate ao racismo religioso, para alertar a necessidade de respeito e compreensão da liberdade religiosa.
Jeff Soares

Músico
Jornalista
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
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