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Nova polêmica de Léo Lins com Preta Gil, Expõe Que Defesas ao Humorista São Absurdas

[...] Defender o humor sem limites, independentemente do alvo, não é apenas insensível — é um sintoma de conivência com discursos de ódio disfarçados de piada.

Nova polêmica de Léo Lins com Preta Gil, Expõe Que Defesas ao Humorista São Absurdas
Montagem/Redes

O comediante Léo Lins retorna ao centro das controvérsias após usar um de seus shows para debochar da cantora Preta Gil — vítima de câncer intestinal — e insinuar que a doença “favoreceu” sua dieta. A fala foi recebida com indignação pública, colocando em xeque até mesmo os argumentos já conhecidos de quem o defende com fervor.


Durante apresentação no Teatro Gazeta, Léo Lins, condenado a 8 anos e 3 meses por discursos de ódio, fez piada comparando a ação judicial movida por Preta Gil ao suposto “favor” de Deus que permitiu que ela “emagrecesse” devido ao tratamento do câncer. A frase — “parece que Deus tem um favorito ... e pelo menos ela vai emagrecer” — ultrapassou limites ao ironizar não apenas o processo, mas a própria doença.


A fala suscitou fortes reações nas redes. Taís Araújo chamou o comentário de “desumano”, e Gilberto Gil, pai de Preta, afirmou que “o humor que fere não tem graça”. Outros artistas como Paolla Oliveira, Deborah Secco, Ícaro Silva e Bruno Gagliasso também repudiaram o ataque, cobrando empatia e respeito.


Defendido por figuras como Danilo Gentili, Léo Lins recebe defesa baseada “na liberdade irrestrita do humor”.  Gentili chamou a condenação “ataque à comédia” e pronunciou: “Piadas não geram gente morrendo … Piadas são apenas piadas”. Ele argumenta que decisões judiciais sobre humor resultam em censura, sob o pretexto de “desviar o foco de crimes reais” como fraudes ao INSS.


Muitos internautas afirmam que o humor de Léo Lins não justifica polêmicas e que seu humor ácido é vazio, apelativo ou malfeito. Um tweet viral resume:

“Ele faz piada com literalmente tudo e todos … Sob essa ótica, seu humor faz parte da reação do patriarcado ao avanço dos direitos da minoria”.


Outro internauta critica a falta de técnica:

“O que nos leva a conclusão que o prazer que o show dele traz é a normalização de situações negativas para um público que quer se sentir confortável com a existência de tal situação”.


A situação revela uma visão problemática sobre a “liberdade irrestrita” do humor. O discurso que ironiza doença, câncer e o sofrimento alheio ultrapassa o campo da irreverência e mergulha no terreno da crueldade desnecessária. Defender o humor sem limites, independentemente do alvo, não é apenas insensível — é um sintoma de conivência com discursos de ódio disfarçados de piada.


Léo Lins segue em tratamento judicial por discurso de ódio. Entretanto, sua nova piada envolvendo Preta Gil evidencia que, para alguns defensores, o humor é quase uma causa ideológica: “gaguejar o riso perto do absurdo” virou passe livre para ofensa deliberada. A arte tem limites — o respeito, ao menos, também deveria ter. E se ironizar o câncer ainda é motivo de risada para alguns, o problema é menos com os comediantes que fazem humor — mas com quem ainda acha graça nisso.




Jeff Soares

Músico

Jornalista

Apresentador do Aqui de Casa Podcast

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