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Alcoolismo Grave Pode Garantir Benefício do INSS

Uma Questão de Saúde Pública e Direitos

Alcoolismo Grave Pode Garantir Benefício do INSS
Getty Images

O alcoolismo, frequentemente visto com estigma moral e social, é uma doença reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e também pela legislação brasileira. O que muitos não sabem é que, em casos graves e devidamente comprovados, o alcoolismo pode garantir ao paciente o direito de receber benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como o auxílio-doença ou a aposentadoria por invalidez.


Mais do que um vício, o alcoolismo é uma condição crônica e progressiva que afeta não apenas o comportamento do indivíduo, mas também seu organismo, sua capacidade de trabalho e sua dignidade. O alcoolista grave costuma apresentar quadros de comprometimento físico e mental, como cirrose hepática, pancreatite, transtornos de ansiedade, depressão profunda e até síndromes neurológicas degenerativas. Quando esses sintomas impedem o exercício da atividade profissional, o trabalhador tem direito a proteção social.


O Que Diz À Lei


A legislação brasileira, por meio da Lei nº 8.213/91, prevê que o segurado do INSS que estiver incapacitado temporária ou permanentemente para o trabalho pode ter direito ao auxílio-doença ou à aposentadoria por invalidez. O alcoolismo, quando atestado por laudos médicos, pode ser a causa dessa incapacidade.


Segundo decisões recentes do Judiciário, o entendimento tem se ampliado: não importa se a doença foi causada por um comportamento considerado autodestrutivo — o que importa é o estado de saúde atual e sua repercussão na vida funcional do indivíduo. Ou seja, a dependência química é uma doença que deve ser tratada com seriedade, e o trabalhador não pode ser penalizado por estar doente.


O alcoolista que busca o benefício deve apresentar: Laudo médico psiquiátrico atualizado, com diagnóstico conforme o CID (Código Internacional de Doenças) e descrição da incapacidade; relatórios médicos complementares, que comprovem a gravidade do quadro, tratamentos ou tentativas de reabilitação e a documentação previdenciária, comprovando a qualidade de segurado e, se for o caso, carência exigida para o benefício.


Caso o pedido seja negado administrativamente, é possível recorrer à Justiça, onde os tribunais têm reconhecido com mais sensibilidade a gravidade da dependência alcoólica como doença incapacitante.




Uma Questão de Saúde Pública


Mais do que uma via burocrática, o reconhecimento do alcoolismo como condição incapacitante pelo INSS é um passo essencial para combater o preconceito que ainda cerca a saúde mental e as dependências químicas no Brasil. O alcoolista grave não é um “fraco de caráter” — é alguém adoecido, muitas vezes abandonado pela família, sem apoio médico contínuo e vivendo à margem do mercado de trabalho.


Garantir o benefício previdenciário, nesses casos, é garantir dignidade, acesso à saúde e uma chance real de recuperação. É dever do Estado e direito do cidadão.


Ainda há muito a ser feito para que o alcoolismo seja tratado com a seriedade que merece. Mas reconhecer que essa doença pode sim incapacitar e garantir o acesso ao INSS é um passo importante na construção de uma sociedade mais justa, empática e consciente de que a saúde mental e as dependências são responsabilidade de todos — e não motivo de vergonha ou punição.




Jeff Soares

Músico

Jornalista 

Apresentador do Aqui de Casa Podcast

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