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Sad Girl Core Antes de Ser Tendência

[...] o drama estético de 2014 e a nostalgia da adolescência...

Sad Girl Core Antes de Ser Tendência
Imagem Internet

Em 2014, ser adolescente era uma performance estética. E, como toda boa performance, precisava de figurino, trilha sonora e drama.


Coturno no pé, meia-calça arrastão rasgada por convicção (ou azar), delineado gatinho que quase nunca acertava o traço, mas quem se importava? A ideia era parecer uma pintura feita à mão, onde o único intuito através dos looks era mostrar estilo, autenticidade, rebeldia, parece que tô falando da juventude anos 80 esteticamente, mas a diferença gritante além de tudo que já sabemos, foi o acesso a internet, no Facebook existiam comunidades destinadas apenas a galera mais alternativa, e lá o povo de todo canto se juntava pra comentar seus gostos em comum.


Tudo isso ao som de Arctic Monkeys, Lana Del Rey e Lorde, com o feed do Tumblr aberto em outra aba e o coração em looping num trecho de “Do I Wanna Know?”.


Parece bobo agora, mas naquela época ser uma adolescente "intensa" era quase um estilo de vida, todos queriam ter o estilo de vida da Effy de Skins(primeira geração).. A gente se expressava como podia, às vezes com uma foto em preto e branco cheia de sombra e citação de Bukowski que achávamos no site "pensador"; às vezes com um look meticulosamente desleixado, e uma vontade de desaparecer em slow motion, como nos filmes indie que nunca vimos até o fim.


O Tumblr era a vitrine estética: ensinava como sofrer com estilo, como amar com intensidade ,de livro de poesia barata e como deixar tudo mais bonito com granulado e com efeitos distorcidos. E mesmo que metade daquilo fosse só pose, o sentimento por trás era real. Estávamos todos tentando dizer alguma coisa, mesmo sem saber direito o quê.


Mas por que ainda sentimos saudade dessa fase? Por que essas memórias, às vezes tão banais, voltam com tanta força e emoção?


A nostalgia, segundo estudos da neurociência e da psicologia, é uma resposta afetiva que mistura emoção e memória. Quando lembramos de um tempo que já passou, o cérebro ativa regiões como o hipocampo e o córtex pré-frontal medial(áreas ligadas à construção da identidade e ao processamento emocional). Em resumo: não é só saudade. É o cérebro tentando nos lembrar de quem fomos, para ajudar a entender quem somos agora.


E tem mais: momentos vividos durante a adolescência são armazenados com mais intensidade porque, biologicamente, é um período em que estamos formando a base da nossa personalidade e da nossa visão de mundo. Por isso, músicas, roupas, cheiros ou imagens daquela época têm o poder de nos transportar quase que instantaneamente, como se estivéssemos visitando uma versão congelada de nós mesmos.




Foi mesmo uma “golden era” do pop mundial? Talvez. A mistura de ícones alternativos com divas melancólicas criou um caldo estético que até hoje aparece reciclado nos cantinhos mais escuros do TikTok. Mas, acima de tudo, foi a era dourada da nossa intensidade. E por mais que o tempo faça a gente rir do exagero, tem algo ali que ainda pulsa.


Talvez porque aquela versão de nós, jovem, insegura, apaixonada, dramática, poética, era uma primeira tentativa de ser alguém. Mesmo que esse alguém usasse batom vinho em plena terça-feira e acreditasse que cada música do Arctic Monkeys tinha sido escrita pra si.


No fim das contas, não importa se foi relevante pra todo mundo. Foi relevante pra muitos de nós. E isso já basta pra continuar existindo, mesmo que seja só como uma playlist salva com o nome “2014" no Spotify.


Qual ano te marcou na adolescência?

O que tocava? O que vestiam e através do que se expressavam?

Deixo essa reflexão nostálgica pra tu sair daqui e ir correndo escutar os hits da tua época!




Tamara Nunes


Jornalismo/UCPel

Poeta, Artesã, Confeiteira

Taróloga e Colunista

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