Quando O Tempo Vira, Quem Sofre São Eles
Por uma mãe que não dorme direito quando o tempo vira, e seu filho espirra duas vezes seguidas.
Sou mãe. E como toda mãe, vivo com o coração fora do peito. Ultimamente, esse coração tem batido mais acelerado a cada mudança brusca de tempo. Basta o sol dar lugar a uma frente fria repentina ou a umidade aumentar, e lá estão eles: os sintomas. Espirros, tosse, nariz entupido, febre. Crianças que antes estavam brincando no quintal, de repente, estão deitadas com os olhos febris e um cansaço que parte o coração de qualquer mãe.
Não é exagero. A mudança do tempo tem afetado diretamente a saúde das nossas crianças, e não apenas fisicamente. Há um impacto também no comportamento, no sono, no apetite e até no rendimento escolar. Quando o clima varia com intensidade — e isso tem acontecido com mais frequência nos últimos anos — o organismo ainda imaturo dos pequenos reage de maneira sensível. O sistema imunológico infantil não está totalmente preparado para lidar com alterações tão repentinas.
Segundo pediatras e especialistas em climatologia, as mudanças bruscas de temperatura favorecem infecções respiratórias, como gripes, resfriados, sinusites e crises de asma. E não é só o frio: a elevação súbita da temperatura e a seca também aumentam a proliferação de vírus e fungos. O resultado é um número crescente de faltas escolares e idas ao pronto atendimento, além do sofrimento das próprias crianças, que muitas vezes não conseguem entender o porquê de se sentirem tão mal de um dia para o outro.

Mas além do aspecto biológico, há um lado emocional que não podemos ignorar. Crianças são sensíveis ao ambiente. Quando o tempo muda, muitas vezes elas se sentem inseguras, agitadas ou apáticas. O corpo responde com febre, sim, mas a alma também responde com irritabilidade, cansaço e até tristeza. Como mãe, observo tudo isso e me pergunto: o que estamos fazendo para proteger nossos filhos dessas novas exigências do clima?
Aqui entra a responsabilidade coletiva. Precisamos de políticas públicas que levem a sério os efeitos das mudanças climáticas na saúde infantil. Mais campanhas de vacinação, maior preparo nas escolas para lidar com oscilação de temperatura, e principalmente, acesso a atendimentos médicos rápidos e de qualidade. Dentro de casa, fazemos o que podemos — ajustamos o guarda-roupa, cuidamos da alimentação, mantemos a casa limpa e arejada. Mas sozinhas, como mães, não damos conta de tudo.
Se o clima está mudando — e está — que mudemos também nosso olhar para a infância. Cuidar do planeta é, antes de tudo, cuidar das nossas crianças. E nesse compromisso, ninguém pode se ausentar.
— Por uma mãe que não dorme direito quando o tempo vira, e seu filho espirra duas vezes seguidas.
Ninha Sousa

Apresentadora
Colunista
Comentários (0)