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Cenário das Minas do Rap e Hip Hop nos Último Cinco Anos

Uma análise sobre a ascensão da negritude feminina no gênero!

Cenário das Minas do Rap e Hip Hop nos Último Cinco Anos
Foto: Victor Affaro

Que o cenário do rap nacional, nos últimos 5 anos, lançou grandes pérolas no mercado da música, isso todo mundo sabe.


É Duquesa, Ebony, Tasha e Tracie, Slipmami, MC Luanna, Mac Julia... isso já causa alvoroço justamente por elas falarem de temas que, no rap criado por homens, já eram comuns. Essas gatas falam sobre independência financeira, sexo como algo que também pode ser mais para suprir desejos do que querer algo sério, de uma perspectiva feminina. Falam sobre a vivência de ter sido a "neguinha", que é o estereótipo da menina negra que não se aceitava na adolescência e se embranquecia o quanto podia para se encaixar na sociedade.


Elas já vêm balançando esse mercado que era dominado apenas por homens há muito tempo, a gente sabe...


Mas em 2025, algo revolucionário aconteceu, na minha opinião.


Em março deste ano, a cantora Duquesa já estampou a capa da revista digital *Capricho*.

Revista Capricho que teve sua primeira edição lançada no ano de 1952. Até 1980, o foco principal dessa revista eram as fotonovelas.


Já de 1980 em diante, a revista passou por uma reformulação editorial e passou a ter um conteúdo direcionado à juventude, com foco em moda, beleza e comportamento. A década de 90 foi o auge da revista Capricho, com a venda de mais de 500 mil exemplares por edição. Muitos rostos passaram pela capa de cada edição. Mas esses rostos eram, em sua maioria, brancos.


E o que a história da revista Capricho tem a ver com revolução e as meninas do rap nacional em 2025? TUDO!



Tasha & Tracie | Foto: @stefflima


Em julho de 2025, as irmãs Tasha e Tracie lançaram o clipe oficial do single *Amina*. A letra desse som fala justamente sobre a negritude por uma perspectiva negra, culta e intelectual, que mescla esses pontos com vivências, vida na periferia e rimas fortes, com consciência, empoderamento e incentivo.


No mês de julho, também em 2025, as gêmeas estamparam a capa da edição física da Capricho, que agora só acontece de 6 em 6 meses. A última capa(Dezembro de 2024) havia sido estampada pela influenciadora Bianca Andrade, a Boca Rosa.


A já a primeira edição de 2025 foi protagonizada pelas gêmeas Tasha e Tracie, que se emocionaram ao anunciar no Instagram que estavam orgulhosas de serem capa de uma revista que, na época da adolescência delas, era espaço apenas para garotas brancas.


E qual a relevância disso?


Passos lentos são melhores que a estagnação e o congelamento da consciência. Para a comunidade negra, ter pessoas tão conscientes e empoderadas ganhando destaque é de extrema importância. É importante para o nosso país, é importante para a autoestima dos jovens e crianças negras, é importante para a sociedade de um país onde muitas pessoas dizem que o racismo existe, mas nunca admitem sua responsabilidade nisso.


Levando em consideração que, na TV, até pouquíssimo tempo, pessoas negras só ganhavam papel de empregada/escrava, e que crescemos sem uma gota de autoestima, nos embranquecendo ao máximo para não expor ao mundo nossas origens étnicas e traços, é revolucionário ter duas artistas negras, que cantam um estilo musical marginalizado e considerado impróprio, ganhando esse espaço.


É de se encher de orgulho.


Ter as gêmeas ou a Duquesa como capa da Capricho não é só uma simples capa. É um momento de renascimento de um meio que só protagonizava, e achava bonito, apenas pessoas brancas. A luta antirracista existe desde que a escravidão existia. E só agora as pessoas negras estão começando a ocupar ambientes já mastigados pelas pessoas brancas.


Era nas revistas, nas novelas... Essas pessoas sempre apareciam em situações onde eram diminuídas (isso é, quando apareciam).


Não é só uma luta individual. A luta é para que estejamos em todos os lugares, e que sejamos dignos de reconhecimento e respeitados neles.


As irmãs Tasha e Tracie, muito antes da fama, já se destacavam no cenário da moda na periferia de origem delas. Elas foram as criadoras do blog Expresive Shit, onde falavam sobre lifestyle e moda sendo algo criado e inspirado no que as pessoas das periferias já consumiam.


O site era direcionado para jovens periféricas, e lá elas recebiam das gêmeas dicas de moda de forma acessível, dicas para autoestima e consciência social/racial.


Com a chegada da fama, as gêmeas continuaram fazendo de sua arte a forma de expressar a cultura e a essência das periferias de SP para o mundo.





Tamara Nunes

Jornalismo/UCPel

Poeta, Artesã, Confeiteira

Taróloga e Colunista

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