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A Submissão como Estratégia: Bolsonaro, Trump e o Ataque ao Brasil por Dentro

O Jogo sujo do Bolsonarismo!

A Submissão como Estratégia: Bolsonaro, Trump e o Ataque ao Brasil por Dentro
Montagem/Redes

Na mais recente de suas aparições públicas, Jair Bolsonaro revelou, com sua costumeira eloquência confusa e marcada por teorias conspiratórias, o que talvez seja uma das maiores aberrações políticas da história republicana brasileira: o alinhamento explícito e submisso a um governante estrangeiro, Donald Trump, em detrimento dos interesses nacionais.


Em coletiva no Senado, Bolsonaro minimizou a gravidade do chamado “tarifaço de Trump”, que pode impor tarifas de até 50% a produtos brasileiros, afirmando que “não é uma ameaça à soberania”. A afirmação, por si só, já é um escárnio. Mas o que mais impressiona é a naturalidade com que Bolsonaro trata a possibilidade de anistia sendo articulada pelo ex-presidente norte-americano, como se Trump tivesse qualquer ingerência legítima sobre decisões do Supremo Tribunal Federal.


A insanidade política de Bolsonaro e do Bolsonarismo — agora explicitada em sua rendição completa a interesses estrangeiros — passa a ser não apenas um desvio institucional, mas uma ameaça prática à soberania do Brasil.


Não bastasse o vexame diplomático, há também um pano de fundo econômico preocupante: a investigação aberta pelos EUA com base na Seção 301 da lei comercial americana de 1974, que tem como um de seus alvos o sistema PIX, orgulho da inovação bancária brasileira, que movimentou R$ 65 trilhões desde sua criação até fevereiro deste ano — o equivalente a quase 12 trilhões de dólares. É nesse sistema que os olhos de gigantes como a Meta estão cravados, interessados em uma fatia do mercado de pagamentos digitais que, até agora, funciona sem custo para o usuário.


O mais espantoso é que enquanto o Brasil é alvo de uma guerra comercial por parte dos EUA, Bolsonaro e seu clã não apenas silenciam, mas colaboram. Eduardo Bolsonaro chegou a gravar vídeos conclamando empresários brasileiros a migrarem para os EUA, sob o argumento de que produzir lá seria mais vantajoso. O próprio Trump, em carta tornada pública, insinua que empresas brasileiras deveriam se instalar em território norte-americano para escapar das tarifas.


Enquanto isso, o governo Lula tenta negociar diplomaticamente. Mas isso é solenemente ignorado por Bolsonaro, que insiste em conversas improvisadas pelas redes sociais, tentando criar a narrativa de que é o único “negociador” possível — ainda que sua negociação se baseie em subserviência e isolamento institucional.


A tentativa de Trump em usar o caso Bolsonaro como arma política e econômica é clara. Mas mais clara ainda é a disposição do ex-presidente brasileiro em se tornar uma espécie de bebê reborn, disposto a tudo para evitar responder à Justiça por seus crimes. Inclusive, como já admitido por seu filho Flávio, a aposta agora é encontrar um candidato que se comprometa com um eventual indulto presidencial.


Por trás da cortina de fumaça ideológica, está o dinheiro. Há um lobby silencioso — mas eficaz — em curso, com potencial para alterar o equilíbrio comercial e financeiro do país, inclusive trazendo tributos para sistemas que hoje são gratuitos, como o PIX.


É um jogo pesado, onde a soberania é moeda de troca, e onde o bolsonarismo revela sua pior faceta: a de um movimento político disposto a sabotar seu próprio país em nome de ambições pessoais e alianças ideológicas que flertam perigosamente com a traição.

Nojento!





Jeff Soares

Músico

Jornalista

Apresentador do Aqui de Casa Podcast


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