Contradições da Titia: Como Se Tivesse Que Ligar Um Botão
[...] quando chega a hora de interagir com os outros...
Queridos sobrinhos,
Hoje estou aqui para compartilhar com vocês uma pequena contradição da titia. Já pararam para pensar como pode ser estranho alguém que, em suas escritas, não tem papas na língua e fala de tudo sem pudores, mas que, pessoalmente, é um verdadeiro botão de flor? Pois é, eu sou essa pessoa! Quando estou escrevendo, meu lado devasso toma conta, transbordando liberdade e sinceridade. Mas, quando chega a hora de interagir com os outros, especialmente em situações sociais, adivinha? Minha cara fica vermelha, meus olhos diminuem, e a timidez aparece como uma sombra.
Engraçado, né? Às vezes eu me vejo tão à vontade na escrita, e, em outras, travo de medo de levar um fora ou cometer uma gafe. Pode-se imaginar a cena: eu lá, estudando cada movimento, esperando que o outro tome a iniciativa. A questão é que, muitas vezes, as pessoas esperam que eu seja a devassa que descrevo nos meus textos. Mas a verdade, meus amores, é que aquela personagem não é uma invenção da minha mente; ela sou eu em essência, mas que só se manifesta quando me sinto segura, com a liberdade necessária para me soltar.
Esse final de semana, conversando com meu querido anjo, ouvi dele uma frase que balançou meu mundo: "É como se tivesse que ligar um botão." Isso me fez refletir sobre como eu me relaciono com as pessoas. Talvez eu tenha essa tendência a me conectar com poucas pessoas, buscando sempre alguém que já tenha conseguido apertar esse meu "botãozinho".
E sabe, ainda acredito que muito dessa insegurança está ligada ao meu peso e corpo. Não que eu tenha vergonha deles; na verdade, aprendi a aceitá-los. Mas meu lado mais "autista" muitas vezes se perde nos labirintos das nuances e subtextos. Para nós, o mundo é muito literal e reto.
Agora, a grande questão é: será que eu quero ser mais aberta? Será que quero vencer essa timidez que me faz corar e dar risadinhas envergonhadas? Afinal, eu gosto do meu jeito de ser, das trocas de olhares discretas e da diversão de ficar toda vermelha. Talvez essa timidez seja meu charme, uma pitada extra da minha personalidade única.
Por isso, queridos sobrinhos, abraçamos nossas contradições com amor e leveza! Afinal, quem precisa de padrões quando podemos ser exatamente quem somos, com todos os nossos medos e encantos?
Com carinho,
Sua titia.
Edna Loreto

Médica Veterinária
Colunista
Apresentadora
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