Felca Expôe Hytalo Santos e Outros Influenciadores
"Conteúdo" sexualizando crianças e o fácil acesso dos predadores sexuais facilitado pelo algoritmo.
Felca (Felipe Bressanim Pereira), 26 anos, nascido em Londrina (PR) e residente em São Paulo, é um influenciador com cerca de 20 milhões de seguidores no YouTube, TikTok e Instagram. Ficou conhecido por lives bem-humoradas, paródias virais e o famoso "NPC" ,e recentemente se tornou uma voz firme contra as plataformas de apostas e a exploração infantil nas redes sociais.
Hytalo Santos, natural de Cajazeiras (PB), 28 anos, conquistou fama no TikTok e Instagram com seu estilo ostentação e rotina ao lado de jovens que chama de “filhos”. Com mais de 17 milhões de seguidores, sempre apresentou gestos grandiosos como doação de carros, celulares e até cirurgias plásticas para esses adolescentes.
Eles foram os protagonistas de um dos assuntos mais comentados no país nas últimas horas. Em um vídeo/documentário de quase 50 minutos, publicado em 6 de agosto de 2025, Felca denunciou a sexualização e adultização de crianças e adolescentes por Hytalo Santos. Ele classificou o conteúdo produzido como um "circo macabro", repleto de “bagunça e putaria”, e afirmou que o formato é pensado para atrair pedófilos e gerar engajamento financeiro.
Um dos casos destacados foi o de Kamylinha, que começou a aparecer nos conteúdos de Hytalo aos 12 anos. Segundo Felca, o público adulto foi atraído gradualmente pelo aumento da exposição da jovem, criando um ciclo de exploração. Após a repercussão do vídeo que ultrapassou 3 milhões de visualizações em pouco tempo, os perfis de Hytalo Santos e de Kamylinha foram desativados no Instagram, aparentemente por decisão judicial ou pelas próprias plataformas.
A deputada Erika Hilton apoiou publicamente a denúncia e acionou a Polícia Federal contra as redes sociais, defendendo que expor crianças de forma sexualizada configura crime. Especialistas advertiram que a exposição precoce a atividades e contextos típicos de adultos, como sexualização, flerte ou comportamento provocativo, pode causar danos profundos na formação da identidade e autoestima das crianças e adolescentes, além de aumentar sua vulnerabilidade a abusos.
Esse tipo de exploração não é apenas impróprio, caracteriza-se como uma forma de abuso, com consequências duradouras: adultos emocionalmente disfuncionais, com dificuldade de relacionamentos saudáveis, autoestima abalada, ansiedade e depressão. A construção de limites e consentimento pode ficar seriamente prejudicada.
Felca também expôs a dinâmica do algoritmo das redes de vídeo vertical (TikTok, Instagram Reels, Kwai). Ele mostrou como conteúdos inicialmente inocentes podem ser rapidamente usados por pedófilos para encontrar material sexualizado envolvendo menores. Em teste com uma conta falsa, ao começar a interagir com conteúdos de crianças, o algoritmo passou a recomendar apenas vídeos similares, confirmando um sistema que alimenta esse ciclo vicioso.
Além disso, Felca identificou padrões preocupantes nos comentários: muitos perfis adultos deixavam mensagens sugestivas, emojis românticos ou links possivelmente direcionando para grupos ou botnets no Telegram que compartilham pornografia infantil.
A denúncia de Felca contra Hytalo Santos é um grito de alerta contemporâneo: mostra como o uso descontrolado das redes sociais transforma a vida de crianças e adolescentes em espetáculo adulto, com consequências psicológicas profundas e risco criminal evidente.
Esse é um chamado à ação urgente: proteção legislativa mais eficaz, fiscalização das plataformas, educação digital para famílias e responsabilização efetiva dos influenciadores e responsáveis legais. Sem mudança estrutural, continuaremos expostos a um ciclo predatório que desmonta a infância e compromete o futuro de gerações que crescem sob holofotes.
Tamara Nunes

Jornalismo/UCPel Poeta, Artesã,
Confeiteira Taróloga e Colunista
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