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Trump e Aliados Ameaçam o Direito de Voto das Mulheres

[...] Se aprovada ou aplicada, a legislação e os decretos poderiam excluir milhões de eleitoras, enquanto o discurso simbólico legitima retrocessos.

Trump e Aliados Ameaçam o Direito de Voto das Mulheres
Imagem Internet

Nos últimos meses, o governo Trump e seus aliados promoveram iniciativas com potencial sério de restringir o acesso das mulheres às urnas, o SAVE Act ("Safeguard American Voter Eligibility Act") — reintroduzido em janeiro de 2025 pelo republicano Chip Roy — imporia exigências rigorosas de comprovação de cidadania (como apresentar certidão de nascimento ou passaporte presencialmente) a cada registro ou atualização eleitoral. A proposta afetaria cerca de 69 milhões de mulheres, especialmente as que mudaram de sobrenome após casamento, impedindo ou dificultando o registro de muitas eleitoras elegíveis.


Em 25 de março de 2025, Trump assinou um decreto executivo com escopo similar ao SAVE Act, limitando o uso de documentos para registro apenas ao passaporte dos EUA. Organizações como a Democratic Women’s Caucus acusaram a medida de ser “um pedágio eleitoral ilegal” que penaliza as mulheres com custos adicionais e deslocamentos desnecessários para exercer o direito de votar.


Além das medidas legais, houve manifestações simbólicas que reforçam o cerco ao voto feminino, o secretário de Defesa Pete Hegseth compartilhou — via retuíte — um vídeo do Pastor Doug Wilson defendendo a revogação da 19ª Emenda, que garantiu o voto às mulheres em 1920. No vídeo, Wilson argumenta que as famílias deveriam votar por meio dos homens, excluindo o voto feminino. A repercussão gerou alerta sobre o avanço de ideologias cristãs nacionalistas e patriarcais nos círculos de poder.


A League of Women Voters e outras entidades de direitos civis criticam duramente o SAVE Act, classificando-o como um “cavalo de Troia” sob pretexto de segurança eleitoral, que na prática sabota o direito de voto, sobretudo de mulheres e outros grupos vulneráveis. O posicionamento de figuras como Hegseth, amplificando discursos radicalmente antissufrágio (movimento político de oposição à extensão do direito de voto às mulheres), alimenta temores de um retrocesso democrático e simboliza a entrada de ideologias autoritárias nos custos da representação política.


A polêmica atual — envolvendo desde medidas administrativas até discursos antissufrágio — representa uma ameaça concreta ao direito de votar das mulheres nos EUA. Se aprovada ou aplicada, a legislação e os decretos poderiam excluir milhões de eleitoras, enquanto o discurso simbólico legitima retrocessos. A defesa ativa desses direitos, pelas instituições democráticas e sociedade civil, torna-se crucial para preservar a democracia e a igualdade eleitoral.





Jeff Soares

Músico

Jornalista

Apresentador do Aqui de Casa Podcast e MPB Café

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