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À Hipocrisia Política Sobre a Adultização e a Regulação das Redes

“Denúncia de Felca não será suficiente para aprovar regulação das redes, dizem bolsonaristas e centrão”

À Hipocrisia Política Sobre a Adultização e a Regulação das Redes
Sóstenes Cavalcante - Foto: Câmara dos Deputados

Em 6 de agosto de 2025, o influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, lançou o vídeo “Adultização”, que denunciou casos alarmantes de exploração e sexualização de crianças e adolescentes nas redes sociais. A publicação rapidamente viralizou, acumulando mais de 40 milhões de visualizações em poucos dias.


As reações foram imediatas: perfis de influenciadores envolvidos foram desativados, houve decisões judiciais para desmonetização e restrição de contato com menores, e uma série de 32 projetos de lei relacionados ao tema, apelidados informalmente de “Lei Felca”, foram apresentados na Câmara. Nesta sxyar feira o influenciador Hytalo Santos, foi preso.


Propostas de Regulação Em Ação

Em resposta à mobilização, o governo Lula intensificou os esforços legislativos. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, anunciou que, após a repercussão do caso, enviará ao Congresso, em próximos dias, um projeto de lei para regulamentar o funcionamento das big techs no Brasil.


Também na mesma linha, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) ressaltou em plenário que o vídeo de Felca expôs as falhas das plataformas digitais e defendeu a criação de um marco legal com foco na proteção da infância, citando o PL 2.628/2022 (Senado) e o PL 1.010/2025 (próprio), que tratam de restrição à publicidade infantil e educação digital.


Resistência da Extrema-direita e do Centrão

Apesar da urgência gerada pela repercussão, parlamentares do centrão e da base bolsonarista no Congresso indicaram que não pretendem avançar com esse tema. Líderes como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), argumentam que o momento não é propício para deliberações que causariam divisão no plenário, especialmente após manifestações bolsonaristas.


A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que, embora apoie punições mais duras para crimes contra menores, não permitirá que a proteção da infância seja usada como pretexto para avançar com uma regulação mais ampla das redes sociais.


Os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Marcel Van Hatten (Partido Novo-RS) afirmaram que, votarão contra se a regulação for política, insinuando uma possível tentativa de censura pelas mãos do governo Federal, diante a proposta de regulação das redes.


Marcel Van Hatten - Foto: Câmara de Deputados


À Hipocrisia Política

Artigos jornalísticos destacam que o vídeo de Felca não apenas denunciou crimes, mas também evidenciou uma contradição: o moralismo público da extrema-direita colide com sua defesa incondicional da desregulamentação das plataformas digitais, cujo funcionamento mantém a máquina de propaganda política deles ativa. Segundo essa análise, a rede digital — despejando conteúdo por meio de algoritmos — alimenta discursos de ódio, exploração infantil e desinformação, mas permanece privilegiada pela extrema-direita justamente por garantir mobilização política sem freios.


Ainda segundo críticas, a defesa da “liberdade das redes” por parte da extrema-direita não tem nada a ver com liberdade de expressão, e sim com manter intacta uma estrutura bilionária de influência e controle — simbolizando uma aliança simbiótica entre plataformas tecnológicas e extrema-direita política.


Embora a denúncia de Felca tenha acendido o debate sobre a necessidade de regulamentar as redes sociais — especialmente para proteger crianças e adolescentes —, o avanço legislativo enfrenta forte resistência política da extrema-direita e do centrão. Esses setores reconhecem o poder simbólico do tema, mas evitam transformá-lo em legislação efetiva, preferindo manter o status quo das big techs. A luta agora é transformar indignação em mudança institucional — e o desafio será romper esse impasse político.





Jeff Soares

Músico

Jornalista

Apresentador do Aqui de Casa Podcast e MPB Café

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