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Roger Waters Um Homem Que Fala Demais, Mas Faz de Menos

O extremismo de Roger Waters me incomoda, principalmente quando seu discurso fica apenas nas linhas dos jornais.

Roger Waters Um Homem Que Fala Demais, Mas Faz de Menos
Foto: Jim Dyson / Getty Images

Recentemente Roger Waters (ex-Pink Floyd) concedeu uma polêmica entrevista, reacendendo debates antigos sobre sua personalidade controversa e sua forma ácida de enxergar o mundo da música. Ao desdenhar de Ozzy Osbourne, falecido em julho, Waters não apenas atacou um ícone do heavy metal, mas uma figura Pop muito maior que ele, deixando claro o quanto sua postura crítica, muitas vezes vista como arrogante, continua a marcar sua presença no cenário cultural.


Quem é fã de Pink Floyd sabe, Roger Waters sempre foi lembrado por seu comportamento conflituoso. Como o homem que idealizou obras monumentais como The Wall ou Animals e que veio a romper com a própria banda em 1985 em meio a brigas judiciais, acusações de egocentrismo e desentendimentos artísticos.


Ao longo das décadas seguintes, Waters construiu a imagem de uma forte, atacando governos, denunciando guerras e se colocando como crítico feroz do capitalismo. Porém, ao mesmo tempo, acumulou inimizades dentro da própria indústria da música, muitas vezes por sua postura ríspida e pouco tolerante a quem não compartilha de sua visão de mundo.


Já chamou outros músicos de “irrelevantes” ou “fantoches da indústria”. Já se envolveu em polêmicas recentes por declarações consideradas “antissemítas”, o que lhe rendeu protestos e cancelamentos de shows. É acusado, por antigos colegas e críticos, de confundir “lucidez política” com “amargura pessoal”, transformando entrevistas em verdadeiras arenas de ataques.


Nesse contexto, suas falas sobre Ozzy soam como mais um capítulo de uma longa trajetória de embates, em que Waters parece buscar afirmar sua própria relevância diminuindo a de outros.


Waters disse “não dar a mínima” para o Black Sabbath, desmereceu o impacto da banda e ridicularizou episódios icônicos da carreira de Ozzy — como a mordida do morcego no palco. Essa fala, dita poucas semanas após a morte do vocalista, foi percebida como desrespeitosa e insensível por fãs e pela família.

A resposta de Jack Osbourne foi visceral. Ao chamar Waters de “patético”, ele não apenas defendeu o pai, mas também reforçou o papel de Ozzy como figura de culto, amada e protegida até depois da morte. Além de confessar que o próprio Ozzy achava Waters um “cuzão”. Sharon Osbourne, que já havia chamado Waters de “irrelevante” em outras ocasiões, representa outro ponto: a guerra não é apenas artística, mas também cultural. Enquanto a família Osbourne entende que o rock sobrevive porque sabe rir de si mesmo e se reinventar, Waters insiste em carregar a música como cruz, sempre atrelada a discursos graves.


Para mim que sou fã de Ozzy e Black Sabbath, as palavras de Roger Waters vieram em um momento muito ruim em nível de assimilação, a morte recente de Ozzy ainda dói e ações como essa são extremamente desnecessárias. Não gosto de comparar pessoas, ainda mais quando se trata de dois gênios da música, duas facetas de um universo que nem mesmo eles tinham total compressão. Ozzy foi o cara que fez, o que nunca quis ser perfeito, Waters um viciado em perfeição que por si só se colocou em uma posição de chatice aguda com o passar do tempo.


Busco separar a obra do artista, lado ser humano do homem, muito embora, muitas vezes seja impossível identificar as duas faces. Por isso, deixarei de ser um fã da obra de Roger Waters no Pink Floyd e jamais negaria sua importância, assim como a de outros nomes de sua geração, que endeusados pelo tempo, acham que podem dizer qualquer coisa, o que pra mim não tem a mesma relevância de um Ozzy e um Black Sabbath.


O Rock precisa do protesto, precisa enfrentar ditadores, precisa levantar bandeiras, mas não dá pra esquecer que também isso é preciso levar alegria, sonhos e autorreflexão sobre si mesmo. O extremismo de Roger Waters me incomoda, principalmente quando seu discurso fica apenas nas linhas dos jornais.





Jeff Soares

Músico

Jornalista 

Apresentador do Aqui de Casa Podcast e MPB Café

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