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Violência Obstétrica

CENAS DE TERROR NOS DIAS MAIS FELIZES DA MINHA VIDA!

Violência Obstétrica
Imagem Internet

Sempre quis ser mãe. Passei por muitos exames e tratamentos. Infelizmente não obtive sucesso. Não é fácil todo esse processo, ele é indelicado, invasivo e muito frustrante. Acabei guardando no fundinho. Um dia, comecei a me sentir estranha, muito sono, dores no seio e um atraso naqueles dias terríveis. Será? Fiz o teste brincando com minhas amigas e, POSITIVO, não acreditei. Fiz 4 testes de farmácia e mais um de laboratório. Um misto de incredulidade, felicidade extrema e muitos planos, regras e planejamentos.

Duas semanas se passaram (4ª para 5ª semana de gestação) senti uma cólica estranha e um pequeno sangramento. Resolvi ir para a maternidade. Só queria saber se era normal e se tudo ficaria bem. Mesmo com plano de saúde foram três longas horas de espera, desespero e susto. Chorei muito, me revoltei, orei muito, falei com aquela sementinha lá dentro, fiz promessas e NINGUÉM dava bola pra mim. Tive que implorar pelo atendimento.

Fui levada a um consultório sem acompanhante. As cólicas estavam mais fortes, mas não estavam com sangramento. Fui recebida por um médico muito indignado e cinco estudantes dentro do uma sala minúscula. Levei meus exames e comecei a explicar meus sintomas. Ele mal olhou o que tinha nas mãos. Os que verificou fez ar e comentários de deboche, tipo, mas você acha que com essa idade e sua condição (paciente submetida a cirurgia bariátrica) tens como segurar a gestação?




Fragilizada, perplexa, com dor, lágrimas nos olhos, voz embargada e sendo motivo de piada e deboche. No entanto, ele resolver fazer um ultrassom intravaginal. Questionei a conduta. Pedi, implorei, não faça, você vai forçar a cérvix e são muito poucas a chances de diagnóstico. Por favor, só quero um exame de sangue para ver se minha taxa hormonal está de acordo. Se ela estivar baixando aceito o aborto (sou da ária da saúde). Por favor!

Quem você pensa que é? Eu sou o médico aqui, a conduta é essa! Constrangida, frágil, chateada você permite e realmente aconteceu, o pequeno sangramento virou rio, as cólicas cada vez mais fortes e meu sonho de ser mãe se esvaiu no chão do meu banheiro. É amigos, eu sofri uma violência obstétrica, sim, é uma forma de violência contra mulher. Você sabia?


A violência Obstétrica é um desrespeito à mulher, à sua autonomia, ao seu corpo e aos seus processos reprodutivos, podendo manifestar-se por meio de violência verbal, física ou sexual e pela adoção de intervenções e procedimentos desnecessários e/ou sem evidências científica.

Então amiga, se você está passando pelos dias mais maravilhosos da sua vida, tome cuidado!

 

FIQUE ATENTA ÀS PRÁTICAS:

1. Maus tratos;

2. Xingamentos;

3. Mandar ficar quieta, não se mexer, não expressar dor, não gritar;

4. Recusa de admissão em hospital ou maternidade (fere a Lei 11.634/07);

5. Proibição da entrada de acompanhante (fere a Lei 11.108/2005);

6. Recusa em esclarecer dúvidas da paciente;

7. Uso de soro com ocitocina para acelerar trabalho de parto por conveniência médica, quando o trabalho de parto está evoluindo adequadamente (ocasiona processo doloroso de contrações não fisiológicas);

8. Toques sucessivos e por várias pessoas;

9. Deixar a mulher nua e sem comunicação;

10. Raspar os pelos pubianos;

11. Lavagens intestinais;

12. Impedir a mulher de se alimentar ou ingerir líquido;

13. Amarrar as pernas e braços da mulher;

14. Afastar mãe e filho após nascimento só por conveniência da instituição de saúde;

15. Impedir ou dificultar o aleitamento materno na primeira hora;

16. Realizar episiotomia rotineira (quando no parto vaginal é realizado o “pique”, corte da musculatura perineal da vagina até o ânus ou em direção à perna, com o objetivo de aumentar a área de acesso do obstetra ao canal vaginal de parto) porque a prática é recomendável entre 10 a 25% dos casos;

17. Manobra de Kristeller (o profissional se coloca sobre a mulher e pressiona sua barriga empurrando o bebê pelo canal vaginal para sua saída mais rápida);

18. Ruptura artificial da bolsa como procedimento de rotina;

19. Realização de cesarianas desnecessárias, sem o consentimento da mulher ou apenas por conveniência do médico.


Se você está passando ou passou por esse tipo de abuso, DENUNCIE!!!! Você tem todo o direito de curtir cada momento desse grande sonho!


por

Edna Loreto

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