Angela Ro Ro, morre aos 75 anos
Obrigado, Angela!
Desde 17 de junho de 2025, Angela Ro Ro está internada no Hospital Silvestre, no Rio de Janeiro, devido a uma infecção pulmonar grave, complementada por problemas renais que exigiram hemodiálise e intubação. Também passou por uma traqueostomia para auxiliar na respiração. Por um período permaneceu em estado grave, com dificuldade de comunicação e falta de coordenação motora, consequência de longos processos de sedação. Em 31 de julho de 2025, conseguiu reacender a voz após a traqueostomia, ainda necessitando de fisioterapia para retomada completa.
A artista enfrenta dificuldades financeiras significativas, com renda mensal estimada em cerca de R$ 800, proveniente de direitos autorais. Ela fez vários apelos públicos por ajuda financeira, inclusive divulgando sua chave PIX que inclusive publicamos nas redes da Aqui de Casa e lançando um site oficial para doações.
Hoje, 08 de Setembro, a notícia que ninguém queria receber, Angela Ro Ro morre ao 75 anos, na manhã desta segunda-feira.
Dona de uma das vozes mais icônicas da Música Brasileira e de um estilo que misturava Blues, Samba-Canção, Bolero e Rock, ela foi um dos nomes mais autênticos da música popular brasileira. Poucas artistas brasileiras carregam na própria existência a mesma intensidade que imprimem em sua obra, Angela Ro Ro foi uma delas. Com sua voz rouca e inconfundível, é uma dessas raridades: compositora de versos confessionais, intérprete visceral e uma das primeiras cantoras a assumir publicamente sua homossexualidade em um país ainda marcado pelo conservadorismo.
Nascida em Niterói, em 1949, Angela construiu uma carreira marcada por coragem e entrega. Seu álbum de estreia, lançado em 1979, a projetou como uma força única na MPB, mesclando influências de blues, samba-canção e música romântica. Canções como “Amor, Meu Grande Amor”, “Compasso” e “Simples Carinho” se tornaram hinos de uma geração que encontrou em sua voz a tradução para a vulnerabilidade e a paixão.
Angela nunca foi artista de concessões, nunca teve a mesma fama que cantora contemporâneas obtiveram, exatamente por preferir a autenticidade às fórmulas fáceis. Nos palcos, misturava humor afiado, confissões pessoais e uma entrega emocional que fazia de cada show uma catarse coletiva. Fora deles, enfrentou preconceitos, dificuldades financeiras e crises de saúde, mas nunca deixou de ser verdadeira — consigo mesma e com o público.
Mais do que uma cantora, Angela Ro Ro é um símbolo de resistência. Sua história mostra que a arte não é apenas entretenimento, mas também um ato político, uma forma de existir e de afirmar dignidade em um mundo muitas vezes hostil. Entre dores e esperanças, sua voz — ora rouca, ora frágil, mas sempre autêntica — continua ecoando como testemunho de uma mulher que nunca deixou de ser inteira.
Descansa em Paz, Maravilhosa!
Jeff Soares

Músico
Jornalista
Apresentador do Aqui de Casa Podcast e MPB Café
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