Julgamento de Bolsonaro: Como Votou Flávio Dino
[...] os ataques de 8 de janeiro não foram um “ato isolado de vândalos”
Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), votou pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete réus na ação que apura a tentativa de golpe de Estado de 2022–2023.
Dino acolheu integralmente a denúncia da Procuradoria-Geral da República, votando pela condenação por todos os crimes indicados: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Contudo, Flávio Dino defendeu penas diferenciadas, mais brandas, para os réus Alexandre Ramagem, Paulo Sérgio Nogueira e Augusto Heleno, considerando que tiveram participação de menor importância nos fatos.
Já para Bolsonaro e o general Braga Netto, Dino propôs penas maiores, entendendo que eles desempenharam papéis de liderança na organização criminosa.
Flávio Dino destacou que os ataques de 8 de janeiro não foram um “ato isolado de vândalos”, mas sim parte de um plano articulado, com liderança e financiamento, para subverter o Estado Democrático de Direito. Ele ressaltou que Bolsonaro teve papel central: ao disseminar dúvidas sobre as urnas eletrônicas e convocar atos golpistas, funcionou como “vetor ideológico” que incentivou a tentativa de ruptura.
Ou seja, não só votou pela condenação de Bolsonaro, como também construiu um raciocínio que diferencia líderes e seguidores, reforçando a narrativa de que houve um “golpe tentado e fracassado”, e não apenas protestos descontrolados.
No voto, Dino frisou que o STF não está “criminalizando a política”, mas sim defendendo as regras do jogo democrático. Para ele, a impunidade abriria espaço para novos ataques às instituições.
Jeff Soares

Músico
Jornalista
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
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