A Nova Era de Luísa Sonza
[...] a nova era não é apenas sobre música: é sobre existir inteira...
No dia 12 de setembro, Luísa Sonza fez muito mais do que um show no The Town — entregou uma performance-limite de liberdade estética e emocional, um rito de passagem para uma fase em que, claramente, o que menos importa é cumprir expectativas alheias.
Sempre tendo a estética como manifesto, Luísa tem trabalhado visualmente com elementos que dialogam com o vintage e com o passado pop — corsets, cores fortes (amarelo é um deles), contrastes marcantes —, mas tudo isso sem nostalgia servil. Ela usa essas referências não para voltar, mas para subverter: vestir o velho para mostrar que o novo mora no interior, no pensar diferente. Foi a própria cantora quem definiu o show mais recente como “entre eras”, ou seja, sem vínculo com nenhum álbum específico, sem amarras estéticas ou roteiros previsíveis.

O uso do visual — roupas, cores, figurinos ousados — funciona como traje de batalha: vestida para provocar, ser vista, mas também para desconstruir qualquer máscara que o público queira lhe colocar.
Quando uma mulher resolve abrir mão de certezas impostas — de imagem, de rótulos, de agradar — ela promove, inconscientemente, a morte do ego. Luísa dialoga isso abertamente: já passou por fases em que precisava se provar, se defender, se posicionar, e aprendeu que entender críticas não significa concordar com elas, mas aceitar o olhar do outro sem se atacar. Isso exige abandonar um pouco do self que se ergue como muralha.
Depois de conquistas externas — sucesso, independência financeira e visibilidade —, ela se permite “se desarmar”, mostrar vulnerabilidade. É a morte do ego no sentido mais libertador: não precisar manter a imagem forte o tempo todo. Essa liberdade se traduz na irreverência autêntica: não chocar por chocar, mas desmontar expectativas — inclusive as próprias.

Dando seguimento ao que Rita Lee começou — irreverência incorporada, desconstrução de papéis, de estética, de moralidades impostas — Luísa herda essa tocha e a transforma. Usa estética pop, cores, redes sociais, intimidade digital, mistura estilos, canta vulnerabilidade e erotismo, dor e prazer.
No palco do The Town, ela mostrou que a nova era não é apenas sobre música: é sobre existir inteira, sem pedir licença, com luz, sombra, excessos e moderação. É sobre abrir caminhos para que outras vozes femininas encontrem coragem, liberdade e irreverência. E, assim, a arte de Luísa se torna manifesto, ritual e inspiração para todas que vierem depois.
Amanda Beatrice

Taróloga
Colunista
Apresentadora
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