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Análise - Wandinha "2ªTemporada"

A Beleza do Caos Distraído

Análise - Wandinha "2ªTemporada"
Foto Divulgação

A segunda temporada de Wandinha chegou como quem entra num baile gótico de gala: elegante, cheia de pose e com aquele olhar de desprezo que só Jenna Ortega sabe entregar. O problema? Entre uma reverência e outra, a série parece ter esquecido que precisa dançar também.


Visualmente, é um espetáculo. O colégio Nevermore continua mais sombrio que segunda-feira sem café, a fotografia poderia facilmente ser vendida como editorial da Vogue Mortícia e a trilha sonora beira o sublime. Ortega segue brilhando: cada olhar atravessado é uma punhalada que o espectador recebe com prazer. E, finalmente, a família Addams foi promovida de figurantes de luxo a personagens de fato. Mortícia e Gomez trazem a pitada de humor mórbido que estava em falta, e até o Tio Chico resolveu aparecer para lembrar que o grotesco também pode ser carismático.


Mas vamos ao ponto frágil: a trama. O enredo se comporta como adolescente entediado em festa de família — até tem energia, mas não sabe para onde ir. Há momentos de mistério bem construídos, dignos de Agatha Christie pós-ressurreição, mas logo surgem desvios narrativos que soam mais como improviso de última hora. O resultado? Um roteiro que acerta na atmosfera, mas se perde na bússola.


E notem a ironia: a violência, antes quase uma poesia sangrenta, foi diluída. Tudo em nome de ampliar a audiência, claro. Mas fãs de Wandinha não querem fofura. Querem o sarcasmo cortante, a crueldade como arte e aquele prazer culposo de rir do macabro. Quando a série tenta ser “mais palatável”, perde justamente o sabor que a tornava especial.


No fim, Wandinha continua sendo uma boa série — melhor do que muita coisa que a Netflix despeja em sua prateleira interminável. Mas é impossível não sentir um leve vazio depois da maratona. É como entrar num restaurante chiquérrimo, tirar fotos do prato belíssimo, e sair dali com fome.


O veredito? Um 7,5 gótico. Brilha, encanta, rende boas frases de efeito, mas falta sustância. A boa notícia é que, mesmo tropeçando, Wandinha ainda consegue rir da própria queda — e nos fazer rir junto.






Ninha Sousa

Colunista 

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