Pet, Meu Filho, Minha Grife!
[...] A transformação é tão profunda que os próprios bichos parecem ter mudado.
Atenção, humanos! Se você ainda pensa que seu cachorro é um "animal de estimação", sinto informar, você vive no passado. Hoje, eles não são pets, são CEO's de felicidade que aceitam ser chamados de "bebê", "neném" ou "princesa/príncipe da mamãe/papai" em troca de mimos e produtos que custam um rim (o seu, não o deles, que está devidamente segurado por um plano de saúde caríssimo).
O mercado pet não cresceu, ele fez uma fusão nuclear com a nossa carteira! Lembro-me da época em que alimentação era "ração no pote, e se reclamar, pega mosca". Hoje, o cãozinho come ração Super Premium sabor salmão com batata doce, servida em comedouro elevado ergonômico e, se bobear, com música ambiente de meditação para facilitar a digestão. E coitado do gato que tiver que comer "ração de mercado"! O felino gourmet de hoje só aceita patê orgânico de frango caipira, batido no liquidificador, servido em slow feeder de porcelana.
E a veterinária? Esqueça a injeção dada na cozinha. Agora, temos clínicas que parecem spas cinco estrelas, com acupuntura, fisioterapia, homeopatia e até análise de comportamento para saber por que o Toby realmente roeu o pé do sofá italiano (spoiler: ele estava deprimido por não ter sido convidado para o seu Happy Hour).
A transformação é tão profunda que os próprios bichos parecem ter mudado. O cachorro, que antes latia para o carteiro e comia o chinelo, agora usa bandana de grife, frequenta creche com piscina de bolinhas e só late se for para pedir mais snack de vegetais desidratados. Já o gato, antes um ser misterioso e arredio, agora é um digital influencer com milhões de seguidores, deitado em uma almofada ortopédica, nos lembrando que nossa função é apenas prover e admirar sua magnificência.
Mas, no fim das contas, a gente reclama, mas ama. Gastamos o que não temos, limpamos a sujeira com carinho e nos emocionamos com um simples ronronar ou abanar de rabo. Eles viraram filhos peludos com patas, e essa é a única verdade.
Porque, convenhamos: por mais que o mercado tenha evoluído, a única coisa que não tem preço – e que eles nos dão de graça (depois de um petisco, claro) – é aquele olhar de puro amor e devoção. Um olhar que nos faz esquecer o saldo negativo da conta e a parcela do plano de saúde, e pensar: "Tá valendo! Agora, quem vai buscar o brinquedo novo?"
Edna Loreto

Médica Veterinária
Colunista
Apresentadora
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