Tecnologia: O Fertilizante Oficial da Burrice em Alta Velocidade
[...] opinião não é sinônimo de burrice travestida de coragem...
A humanidade conseguiu uma proeza impressionante: inventamos máquinas capazes de decifrar o genoma humano, explorar Marte e criar inteligências artificiais… e ainda assim temos gente que acredita que a Terra é plana e que o 5G serve para controlar mentes. É como se estivéssemos na corrida espacial com um pé preso no barro da ignorância.
A internet, coitada, nasceu para compartilhar conhecimento, mas virou um shopping center da estupidez. Não é à toa que o “especialista” de hoje em dia é aquele sujeito que mal sabe diferenciar “mais” de “mas”, mas se sente confortável dando aulas de economia global no grupo da família. O milagre da tecnologia foi democratizar a voz: agora qualquer imbecil pode ter plateia.
E que plateia! Nunca antes tanta gente repetiu com orgulho frases como “eu tenho direito à minha opinião”, esquecendo o detalhe básico: opinião não é sinônimo de burrice travestida de coragem. A tecnologia fez com que cada tolo encontrasse sua tribo, criando verdadeiros exércitos de ignorantes organizados — todos armados com argumentos retirados do fundo de vídeos do TikTok.
É quase poético ver como os avanços que poderiam nos levar ao próximo nível da civilização estão sendo usados para criar tutoriais de como fritar ovo na air fryer, ou discussões sérias sobre se “a vacina tem chip”. O Homo sapiens finalmente provou que a evolução não é uma linha reta: com Wi-Fi no bolso e cérebro em modo avião, conseguimos regredir sem precisar extinguir dinossauros.
Em resumo: não é a tecnologia que nos torna burros. Ela só ampliou o alcance da burrice, colocou luz de LED nela e ainda entregou microfone com eco. O resultado? Uma humanidade que tem a Wikipédia inteira à disposição, mas continua precisando de legenda para entender até desenho animado.
Ninha Sousa

Colunista
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