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Um Surto de HIV Emerge Silencioso na Grande Porto Alegre

Um Alerta de Expansão do HIV!

Um Surto de HIV Emerge Silencioso na Grande Porto Alegre
Imagem Internet

Um estudo inédito coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento acendeu um alerta para a expansão do HIV na Região Metropolitana de Porto Alegre. Os dados revelam que a prevalência do vírus entre adultos alcançou 1,64%, ultrapassando em 64% o limite de 1% estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como referência para classificar uma epidemia controlada. 


A pesquisa testou cerca de 8.000 pessoas, abrangendo moradores de 11 municípios da Grande Porto Alegre — entre eles Porto Alegre, Canoas, Novo Hamburgo e São Leopoldo. Houve detecção de 81 casos de HIV entre essas pessoas testadas. Muitos desses casos eram desconhecidos pelos próprios portadores até então — cerca de um terço não sabia que vivia com o vírus.


O perfil da população mais atingida inclui pessoas entre 30 e 49 anos, com menor escolaridade, de classes mais baixas economicamente, e majoritariamente pretas ou pardas.




Comparativo e Contexto


A taxa de 1,64% na Grande Porto Alegre está bem acima da média nacional estimada, que costuma variar em torno de 0,7%. O Rio Grande do Sul destaca-se no ranking nacional tanto em detecção de HIV quanto em mortalidade por Aids. Porto Alegre, especificamente, aparece entre as capitais com os piores indicadores de mortalidade por Aids no País.


Diversos fatores contribuem para esse “surto silencioso”, muitas pessoas não têm diagnóstico, seja por falta de sintomas, limitação do acesso aos serviços de saúde ou receio de estigmas. Isso gera não só atraso no diagnóstico, mas no tratamento, como também abre espaço para o aumento do risco de transmissão. No entanto, observa - se que grupos desfavorecidos economicamente são os mais vulneráveis, onde grande maioria é negra ou parda.


Mesmo com ações que visam o estímulo à prevenção como o uso de preservativo, a oferta da profilaxia antes e depois da exposição (PrEP/PEP), a testagem regular e principalmente a educação sexual, ainda não surtiram efeitos consideráveis.


Impactos 


A mortalidade por Aids na capital é alta. Mesmo com avanços, Porto Alegre ainda registra muitos casos tardios de infecção, o que dificulta a eficácia dos tratamentos. A transmissão vertical (mãe-para-filho) está sob controle, segundo os órgãos públicos, embora Porto Alegre apresente taxas elevadas de detecção em gestantes. 


O estigma e preconceito continuam sendo barreiras reais para o diagnóstico precoce e para que pessoas em tratamento mantenham aderência e bem-estar.


Para frear esse avanço, especialistas e autoridades apontam para várias ações urgentes: como o aumento da testagem e aumentar a oferta da do PrEP e PEP, especialmente entre a população mais vulnerável. Fortalecer campanhas de educação sexual, com foco em uso de preservativo, também é importante, mas melhorar a atuação do sistema de saúde é fundamental neste caso.



Paciente mostra comprimidos do PrEP, medicamento que protege contra a infecção pelo HIV. — Foto: New York Times





Jeff Soares

Músico

Jornalista 

Apresentador do Aqui de Casa Podcast

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