“No Music For Genocide” - Artistas do Mundo Inteiro Se Unem Contra a Normalização da Violência
[...] “a música é memória, resistência e vida — não pode ser usada para lavar a imagem de regimes que matam, perseguem e silenciam”
A indústria musical global vive um momento de autorreflexão com a ascensão da campanha “No Music For Genocide”, um movimento internacional que busca barrar a presença e o financiamento de artistas, empresas e eventos que compactuam com discursos de ódio.
A campanha nasceu de forma colaborativa entre coletivos culturais da América Latina, Europa e África, após denúncias de artistas que se apresentaram em eventos patrocinados por regimes acusados de crimes contra a humanidade. Em pouco tempo, a iniciativa ganhou força nas redes sociais com a hashtag #NoMusicForGenocide, reunindo milhares de músicos, DJs, produtores, jornalistas e fãs.
O manifesto fundador da campanha afirma que “a música é memória, resistência e vida — não pode ser usada para lavar a imagem de regimes que matam, perseguem e silenciam”. Os organizadores defendem que a neutralidade artística diante de genocídios é, na prática, cumplicidade.
Entre as ações propostas, estão: a pressão a festivais e premiações que vetem artistas que apoiem ou recebam financiamento de regimes acusados de genocídio; que crie-se selos e certificações éticas para eventos musicais livres de patrocínios ligados à violência de Estado; que promovam debates e oficinas sobre responsabilidade social no mercado musical, além do Incentivo há plataformas de streaming e gravadoras na revisão de contratos com figuras públicas associadas a crimes contra a humanidade.

Bjôrk - AP Photo - Canva
Nomes reconhecidos internacionalmente, incluindo músicos premiados e festivais independentes, já aderiram à causa e passaram a exibir o selo “No Music For Genocide” em seus materiais promocionais. Casas de show e selos também anunciaram "novos códigos de conduta", comprometendo-se a não financiar ou divulgar artistas que façam apologia à violência.
Ao mesmo tempo, a campanha pressiona grandes plataformas digitais a adotarem "critérios de responsabilidade ética" na escolha de artistas promovidos por seus algoritmos e playlists.
O movimento pretende deixar marcas, para os organizadores, o objetivo não é censurar, mas trazer responsabilidade ao nicho artístico . A música, afirmam, não pode ser usada só como entretenimento neutro enquanto regimes e grupos políticos seguem promovendo extermínios e perseguições.
“A música sempre foi um grito de liberdade e de vida”, diz um dos trechos do manifesto. “Não seremos trilha sonora do genocídio.”
Jeff Soares

Músico
Jornalista
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
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