Folhas, Ciclos e a Maturidade
[...] Tô aprendendo a ser mais árvore, juro.
Sinceramente? Essa frase "Nunca vi árvores insistindo que folhas ficassem" me pegou de jeito. Fiquei pensando nisso por um tempão. Porque, né, a gente é a árvore na maioria das vezes, e as "folhas" são as coisas que a gente tenta segurar com unhas e dentes, achando que, se elas caírem, o mundo acaba.
Eu sou mestre nisso, viu? De segurar o que não dá mais. Sabe aquela amizade que já deu o que tinha que dar, que a conversa não flui, que a pessoa te suga mais do que te acrescenta? Eu ficava ali, "Não, mas a gente tem história, não posso deixar acabar assim." Tentava regar a folha seca, achando que ela ia voltar a ficar verdinha, sabe? A insistência era tanta que eu ficava esgotada. A árvore, pelo contrário, tá lá, plena. O outono chega, ela dá aquele tchauzinho para as folhas e pensa: "Tá bom, gente. Hora de ir. Ano que vem tem mais." Não tem drama, não tem sofrimento de apego. É só o ciclo.
E não é só em pessoas, não. Já me peguei agarrada a empregos que me faziam mal, só pela tal "segurança". Tipo, a folha tá amarelíssima, com fungo, prestes a cair, e eu "Não, essa folha tem que ficar! E se eu não tiver outra folha?" A ansiedade batendo, o estresse nas alturas. A árvore, por outro lado, quando a folha tá ruim, ela dispensa. Ela sabe que se ficar segurando o que tá morto ou doente, só atrapalhará a energia para fazer a nova folha crescer na primavera. No entanto, ela se concentra no tronco, nas raízes, no que é essencial.

A grande lição que eu tirei disso é que a natureza é a maior professora do desapego. Nenhuma árvore entra em crise existencial porque perdeu uma folha. Ela confia no processo. Ela sabe que precisa se despir para poder florescer de novo, mais forte, na hora certa. E a gente? A gente tenta travar o tempo, segurar o inevitável, por medo da mudança, por medo do vazio que fica quando algo se vai.
Tô aprendendo a ser mais árvore, juro. Olhar para as "folhas" da minha vida — sejam elas relacionamentos, hábitos, empregos, ou até velhas ideias — e me perguntar: essa folha ainda me dá sombra? Ainda está fazendo a fotossíntese para mim? Se a resposta for "não", ou se ela estiver apenas amarelando, pesando no galho, a gente tem que dar a bênção e deixar ir. É libertador, viu?
É a diferença entre ser um galho teimoso, que se quebra tentando segurar o que já passou, e ser um tronco firme, que confia na sua força interna é saber que o novo sempre vem. A gente tem que parar de insistir e começar a confiar na nossa própria primavera. É isso. A natureza sabe o que faz. E a gente devia seguir o exemplo dela. É mais leve, mais sábio. É a tal da maturidade.
Edna Loreto

Médica Veterinária
Colunista
Apresentadora
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