Um Pouco das Minhas Divagações Diárias
[...} Eu observo...
Estas são as minhas divagações diárias:
Sinto o peso das palavras, um mapa de vulnerabilidades humanas. É uma lição sombria sobre como as energias negativas — os pensamentos destrutivos, a corrupção da alma e as crises existenciais — têm o poder de quebrar as pessoas.
Eu observo, e sei que é um engano pensar que a corrupção se limita a atos materiais. Ela entra sutilmente, e com tempo e paciência, pode atingir qualquer um. Há quem resista, mas a maioria cede. Mesmo aqueles que parecem fortes, como um líder religioso ou um místico, são incrivelmente fáceis de quebrar quando mergulham em uma crise de fé. A própria história mostra isso.
Os chamados racionais, os complexos e pragmáticos, são uma aposta melhor, mas também têm sua brecha. É aquela indiferença sutil que começa a surgir pelo próximo, abrindo um atalho para a apatia ou para a vaidade.
Os empáticos, que se preocupam com todo mundo, parecem difíceis, mas a dor da falta de reciprocidade é o seu calcanhar de Aquiles. No momento da crise, quando se dão conta de que ninguém se preocupa com eles, a revolta da ausência de cuidado alheio os morde.
As pessoas mais difíceis de quebrar são as que aprenderam a viver na solidão, as que sobreviveram a ela sem a gourmetizar ou transformar. São neutras. São as que já falaram tanta coisa ruim para si mesmas, que a voz externa de um pensamento negativo é só mais uma em sua própria cabeça. Essa existência não é feliz, nem eufórica, mas é incrivelmente estável e, por isso, menos pecado.
Quando é necessário quebrar alguém assim, é preciso uma mensagem — um gatilho. Algo que ative uma lembrança gravada no passado, ou uma projeção no futuro. Pode ser um amigo, um inimigo, um ex, ou alguém atual. É preciso alguém para atingir esse ponto fraco.
Meu poder reside no conhecimento dessas vulnerabilidades. Sei que o pensamento negativo é um sol que já se pôs, uma sombra que se desfaz— o fardo do que já foi, mas ainda tenta influenciar o presente.
Mas, apesar de tudo isso, eu sei do meu poder. Eu desisto da influência quando vejo a pessoa atenta. Eu, o observador, eu que sou capaz de desvendar a contradição entre o que foi e o que é, afirmo: Meu trabalho, meu foco, é estar atento a tudo isso e transformar essa solidão em uma fortaleza. Eu posso neutralizar a corrupção e não me quebrar diante das energias ruins.
A minha mente é mais estável que o mal.
A minha voz interior, a minha consciência, é quem manda.
A minha força quebra o pensamento que é só um eco.
Edna Loreto

Médica Veterinária
Colunista
Apresentadora
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