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Será Que Eu Sou Tóxica ou a Vênus em Escorpião Justifica Isso?

[...] Quando usamos os signos pra justificar cagadas no mundo real

Será Que Eu Sou Tóxica ou a Vênus em Escorpião Justifica Isso?
Imagem Internet

Todos nós, humildes jovens místicos, já passamos pela fase de fazer o mapa astral, né?


Eu, Tamara, confesso: amo perguntar o signo das pessoas no rolê. Depois fico fazendo mini observações, tentando adivinhar o ascendente, a lua, o Mercúrio… como se fosse um jogo.


E sim, eu acredito que os astros e planetas influenciam em quem somos, nas emoções e pensamentos. Assim como a lua interfere nas marés, acredito que também interfere em nós, seres espirituais que estão só de passagem pela Terra. Mas hoje quero falar sobre o ponto em que o autoconhecimento termina e a autos sabotagem começa.


Como boa virginiana (risos), sou do elemento terra: racional, pé no chão e com uma mania enorme de querer entender tudo. Ao mesmo tempo, minha lua em Sagitário me deixa com a cabeça nas nuvens, sonhadora, fantasiosa e, às vezes, um pouco iludida. Essa mistura sempre me fez oscilar entre a razão e a emoção, e por muito tempo eu achei que bastava entender meu mapa pra entender quem eu era.


Mas aí vem a pergunta que realmente importa: até que ponto o teu mapa astral justifica a pessoa que tu é?


Muito usei da minha Vênus em Escorpião como desculpa pra justificar comportamentos que, olhando agora, consigo reconhecer, eram bem tóxicos.


“Sou intensa demais.”

“Eu amo com ciúme, porque Escorpião é assim mesmo.”

“Tenho dificuldade de desapegar, mas é culpa da minha Vênus.”


Essas frases me acompanhavam como se fossem uma justificativa válida . Eu realmente acreditava que estava tudo bem ser possessiva, controladora ou ciumenta, porque estava no meu mapa. Com 23 anos e mais de cinco relacionamentos depois, entendi que não era a Vênus em Escorpião. Era eu.


E foi só com terapia, tempo e distância de certos ciclos que percebi o quanto me escondi atrás dos astros pra não encarar minhas próprias sombras. Signo pode explicar muita coisa, mas não pode justificar tudo. A astrologia pode mostrar nossas tendências, mas não determina nossos comportamentos. Ela aponta o caminho, mas quem escolhe andar ou parar somos nós. A vida real não tem mapa astral que resolva o peso das nossas atitudes. Não dá pra culpar o Mercúrio retrógrado por uma briga, nem o retorno de Saturno por um erro repetido.


Na prática, a responsabilidade continua sendo nossa. E amadurecer, pra mim, foi justamente entender que olhar pro céu é bom, mas olhar pra dentro é essencial. Hoje, ainda acredito no poder dos astros, mas com os pés bem firmes no chão. Entendo que minha Vênus em Escorpião me torna intensa, mas também aprendi que intensidade não precisa machucar.


A lua pode até influenciar as marés, mas não justifica a tempestade que a gente causa nos outros. No fim das contas, o mapa astral é um espelho. Ele reflete o que temos de melhor e de pior, mas o reflexo não age sozinho. Os astros podem até indicar o rumo, mas quem segura o volante somos nós.






Tamara Nunes

Colunista

Artesã

Confeiteira

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