De Mãe para Mãe: O Luto Que Nunca Deveria Existir
[...] Não conheço aquelas mães, mas sinto que as conheço.
Sou mãe. E como toda mãe, carrego no peito aquele medo silencioso que nunca vai embora — o de perder um filho. Quando vi as notícias da chacina no Rio de Janeiro, meu coração parou por um instante. Não conheço aquelas mães, mas sinto que as conheço. Porque dor de mãe é dor compartilhada, mesmo quando o mundo insiste em seguir como se nada tivesse acontecido.
Imagino o vazio na casa, o prato que sobra na mesa, o cheiro que ainda fica nas roupas. Imagino o desespero de quem espera uma ligação que nunca vem. E me pergunto: até quando vamos enterrar filhos tão jovens, tão cheios de sonhos, por causa de uma violência que parece não ter fim?
Essas mães não perderam apenas seus filhos. Perderam também a paz, o sono e a fé na justiça. Elas foram arrancadas da rotina, do colo e dos planos. São mães que agora vivem um tipo de luto que o tempo não cura, porque é o tipo de dor que não cabe em palavras.
Ser mãe, em um país como o nosso, é viver dividida entre o amor e o medo. É ensinar o filho a sonhar, mas também a se proteger. É pedir a Deus todos os dias que ele volte pra casa. E quando uma mãe perde seu filho de forma tão brutal, todas nós perdemos um pouco também.
Hoje, escrevo não só para lamentar, mas para me solidarizar. Para dizer a essas mulheres: vocês não estão sozinhas. Que o Brasil inteiro possa acolher essa dor, e que, de alguma forma, o amor de tantas mães unidas possa se transformar em força, em luta, em esperança de um país mais justo.
Porque nenhuma mãe deveria enterrar um filho. Nunca.
Ninha Sousa

Colunista
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