Quando As Pessoas Procuram Você Só Quando Convém
A conveniência disfarçada de afeto...
Há um tipo de presença que pesa mais do que a ausência e no que momento estou dispensando: a presença interesseira. Aquela que não nasce da saudade ou da vontade genuína de saber como você está, mas de uma necessidade momentânea. Quando as pessoas só lembram de você quando precisam de algo — um favor, um ombro, uma ajuda, uma oportunidade — é como se deixassem claro que o valor da sua companhia está condicionado à utilidade que você oferece.
Com o tempo, aprendemos a reconhecer esses padrões. As mensagens que chegam sempre com um “oi, tudo bem?” seguido de um pedido. As ligações que nunca vêm em dias tranquilos, mas aparecem quando o outro precisa resolver um problema. É muito ruim perceber que o carinho não era bem carinho, que o interesse não era recíproco.
Mas essa constatação, por mais amarga que seja, também é libertadora. Ela nos ensina a escolher melhor os vínculos que mantemos e a perceber quem realmente deve se manter em nossa vida. Relações verdadeiras não se medem por conveniência, e sim por constância.
Quem gosta de você de verdade não aparece só quando precisa — estará presente quando você também precisa. Está lá nas pequenas coisas, nos momentos silenciosos, nas conversas sem motivo. O resto… é só conveniência disfarçada de afeto.
E o mais importante: quando você entende isso, aprende também a não se culpar por se afastar. Proximidade forçada é um fardo; distância consciente é um ato de amor-próprio.
Jeff Soares

Músico
Jornalista
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
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