Luto na Música Gaúcha: João Chagas Leite (1945–2025)
A Voz Eterna de Uruguaiana
Com profundo pesar, a música nativista do Rio Grande do Sul se despede de um de seus maiores ícones. João Chagas Leite, o cantor e compositor natural de Uruguaiana, nos deixou na última terça-feira, 11 de novembro de 2025, aos 80 anos, após lutar contra um câncer. Sua partida deixa uma lacuna imensa, mas um legado artístico eterno na cultura do pampa.
A Obra e Importância no Meio Nativista
A obra de João Chagas Leite é um vasto cancioneiro que pinta com palavras e melodias o cenário e o cotidiano da fronteira. Sua música, profundamente enraizada na cultura platina, celebra a vida campeira, o gaúcho e o cavalo.
Ele se destacava por seu timbre de voz inconfundível e pela escolha de um repertório que prima pela qualidade literária e melódica. Músicas como "Por Quem Cantam os Cardeais", "Desassossegos", "Ave Sonora" e, sobretudo, a clássica "Desgarrados" (parceria com Sérgio Napp), se tornaram hinos do movimento nativista. Com mais de 300 composições em sua trajetória, ele sempre será reconhecido por manter a autenticidade e a essência do canto do homem do campo.
O Brilho nos Festivais Nativistas: Uma Trajetória de Vitórias
O palco dos grandes festivais é onde João Chagas Leite forjou e consolidou seu nome, firmando-se como um dos artistas com maior número de premiações no circuito. Ele acumulou mais de 13 primeiros lugares em diferentes eventos, tornando-se uma figura de excelência e respeito.
Sua participação não se resumiu à famosa Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana — onde a conquista com "Desgarrados" é um marco. O artista levou sua arte e sua voz inconfundível a inúmeros outros palcos cruciais para o gênero. Embora a lista completa de todos os 13 festivais não seja facilmente rastreável em um único lugar, os resultados de sua carreira atestam seu sucesso constante em eventos-chave:
Tertúlia Musical Nativista (Santa Maria): João Chagas Leite foi uma presença constante e inspiradora, com canções que conquistaram prêmios e o carinho do público local, como a premiada "Campo, Pampa e Querência".
Outros Festivais de Prestígio: O músico se destacou em eventos como a Coxilha Nativista (Cruz Alta) e o Ponche Verde da Canção Gaúcha (Dom Pedrito), além de diversos outros festivais que compõem o circuito musical do Rio Grande do Sul, sendo um vencedor frequente em categorias de melhor canção e melhor intérprete.
Sua intensidade e capacidade de traduzir a alma gaúcha em versos fizeram dele a "voz dos festivais nativistas". João Chagas Leite foi mais do que um cantor; foi um cronista da fronteira. Sua contribuição para a música nativista é inestimável, e sua voz, que tanto embalou e emocionou o Rio Grande do Sul, agora se junta ao coro da eternidade. O velório foi realizado em Erechim, e seu sepultamento ocorreu na última quarta-feira, 12 de novembro.
Obrigado por toda a poesia, João Chagas Leite. Que a terra lhe seja leve!
Edna Loreto

Médica Veterinária
Colunista
Apresentadora
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