Recuo de Trump nas Tarifas ao Brasil em 10%
O que muda e quais os impactos para a economia com menos 10%
Em uma guinada nas tensões comerciais, os Estados Unidos, anunciaram um recuo parcial nas tarifas impostas sobre produtos brasileiros — movimentação que já gera repercussões para a economia do Brasil e pode redesenhar parte da estratégia comercial entre os dois países.
Em abril de 2025, Trump havia imposto sobretaxas (tarifas recíprocas) para diversos países, incluindo o Brasil. Naquele primeiro momento, o Brasil sofreu uma tarifação básica de 10% sobre exportações para os EUA. Após a crise diplomática envolvendo a fomentação da família Bolsonaro, a taxação sobre produtos brasileiros aumentou em 40%, somando cinquenta por cento ao todo.
É importante ressaltar que esse recuo não se aplica ao tarifaço mais recente de 40% anunciado em julho: a redução se dá aos primeiros 10% de taxas recíprocas.
Apesar do recuo parcial, economistas ainda apontam efeitos negativos. Segundo a XP, o tarifaço de 40% pode reduzir o crescimento do PIB brasileiro em 0,30 ponto percentual em 2025 e até 0,50 p.p. em 2026, caso as medidas se mantenham. Já a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda estima um impacto “modesto” mas mensurável: queda de 0,2 p.p. no PIB entre agosto de 2025 e dezembro de 2026, especialmente em setores como metalurgia, química, móveis, têxteis e eletrônicos. Além disso, o encarecimento das exportações para os EUA tende a influenciar a inflação interna, uma vez que algumas cadeias produtivas brasileiras dependem fortemente desse mercado, e o redirecionamento para outros destinos pode implicar custos maiores.
Nem toda a pauta exportadora brasileira para os EUA será atingida igualmente. Estudo da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) mostra que, embora a sobretaxa tenha sido anunciada para “todos os produtos”, há exceções — o que mitiga parte do impacto negativo. Mesmo assim, setores como o de metais ferrosos devem sentir bastante: o Ipea estima uma queda de exportações de até *11,3%* no segmento.
Ainda segundo a FIEMG, em um cenário mais adverso, a imposição de tarifas de 40% pelos EUA poderia levar a uma retração de até 0,40% do PIB no curto prazo (cerca de R$ 47 bi), enquanto perdas mais agudas ao longo prazo poderiam atingir até 1,49% do PIB.
O governo brasileiro já sinalizou forte reação. Por meio do “Plano Brasil Soberano”, prevê-se apoio direto a setores prejudicados pelas tarifas. Além disso, a Lei de Reciprocidade Econômica vem sendo mencionada como instrumento de retaliação possível. O presidente Lula, por sua vez, afirmou que o Brasil “responderá a qualquer tentativa de protecionismo”.
A redução média anunciada em abril sinalizou uma abertura para negociação e reduziu parte da incerteza sobre o impacto imediato das tarifas. E com menor hostilidade externa (pelo menos em parte), o Brasil ganha margem para buscar novos acordos, diversificar destinos de exportação ou readequar cadeias produtivas. O tarifaço de 40% ainda está em vigor para muitos produtos, e o recuo não elimina totalmente a ameaça de escalada ou medidas de retaliação. Para diminuir os impactos, será vital que o Brasil fortaleça sua capacidade produtiva, invista em competitividade e crie mecanismos de apoio a empresas exportadoras vulneráveis.
Jeff Soares

Músico
Jornalista
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
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