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Prisão de Bolsonaro: Burrice ou Manobra?

Prisão Preventiva!

Prisão de Bolsonaro: Burrice ou Manobra?
Foto: Sérgio Lima/Poder360

Na manhã do último sábado, 22 de novembro de 2025, a Polícia Federal cumpriu um mandado de "prisão preventiva", contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A decisão provocou forte repercussão em todo o país , já que Bolsonaro havia sido condenado em setembro a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma "organização criminosa" vinculada a uma tentativa de golpe de Estado. 


Segundo a decisão de Moraes, houve risco iminente de fuga por parte de Bolsonaro. E entre as principais motivações para prisão estão a violação da tornozeleira eletrônica, a mobilização de apoio, provocada pelo filho e senador Flávio Bolsonaro e a garantia da ordem pública.


Apesar de ele já ter sido condenado, a prisão agora não é para começar a executar imediatamente a totalidade da pena, trata-se de uma medida cautelar. 


Confissão Polêmica: “curiosidade” e as "vozes"

Em vídeo divulgado pela Suprema Corte, Bolsonaro afirma ter mexido na tornozeleira com um ferro de solda por "curiosidade". O dispositivo foi danificado, mas permanecia preso ao seu tornozelo quando a polícia chegou. Já em audiência de custódia, o ex-presidente disse estar passando por uma confusão mental provocada pelo uso de medicamentos e afirmou ter ouvido vozes do dispositivo.


A Repercussão Internacional e a Tese da Defesa 

A prisão não passou despercebida no exterior. A imprensa mundial repercutiu fortemente o fato, destacando o papel do ministro Alexandre de Moraes na decisão e o receio de que Bolsonaro buscasse refúgio em embaixadas estrangeiras. Donald Trump foi questionado pela imprensa e limitou - se a dizer: "uma pena".


A defesa, por sua vez, argumenta que a prisão preventiva coloca em risco a vida do ex-presidente, por conta de seu estado de saúde. Pediram prisão domiciliar humanitária, mas Moraes negou, sob a justificativa de que o risco de fuga e desordem era maior.


Burrice ou Manobra?

A prisão de Bolsonaro pode ser vista por diferentes lentes — e a pergunta: “ele é burro ou é mais uma jogada política” reflete bem essa ambiguidade:


Às instituições (PF, STF) argumentam que estão agindo para garantir a lei, impedir a impunidade e proteger a democracia. Se Bolsonaro realmente tentou violar sua tornozeleira, isso reforça para os magistrados que ele representa risco concreto de fuga.


Os apoiadores de Bolsonaro — e parte de seu grupo — estão tentando fazer da prisão, uma perseguição política. Para eles, a prisão no momento em que ele já foi condenado mas ainda não estava preso efetivamente pode ser encarada como “eliminação de um adversário de Lula antes das eleições”.


A prisão reforça a capacidade das instituições democráticas de responsabilizar até quem ocupou o mais alto posto oficial. Por outro lado, para os opositores, é uma vitória simbólica — já para seus seguidores, pode reforçar a narrativa de mártir -- o que eles desejam empurrar goela abaixo no jogo político. Para Bolsonaro, o episódio da tornozeleira danificada e a “tentativa de fuga” (se comprovada) podem manchar ainda mais sua reputação, especialmente entre eleitores que o veem como “forte” e “inabalável”.


Dizer que Bolsonaro é “burro” por ter adulterado a tornozeleira pode ser simplista. Ele é um político experiente, com base ainda sólida, com capacidade para mobilizar apoio e uma narrativa consolidada entre parte significativa da população que flerta perigosamente com a extrema direita. A decisão de mexer na tornozeleira pode não ser apenas uma falha de inteligência, mas parte de uma estratégia desesperada — ou de alguém que subestimou o grau de vigilância que sofria.


Não é apenas uma jogada tola ou impensada: a prisão de Bolsonaro combina fatores jurídicos sérios (risco de fuga, violação da tornozeleira), estratégicos (mobilização de apoiadores), e simbólicos (o peso de prender um ex-presidente condenado por golpe).


Foi “jogada política”? Sim, em parte — porque uma prisão preventiva também é uma ferramenta do Estado, mas está inserida num contexto de forte disputa de poder e narrativa. Se foi “burro”? Também há elementos para essa crítica — adulterar um monitor eletrônico é arriscado, especialmente para alguém sob supervisão intensa.


Mas simplificar a situação para apenas uma dessas duas visões (burro vs. manobra) não faz justiça ao tamanho do estrago que a família Bolsonaro ainda pode causar. 


Esperamos as cenas dos próximos capítulos...






Jeff Soares

Músico

Jornalista

Apresentador do Aqui de Casa Podcast

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