A Escalada do Racismo Religioso no Brasil em 2025: Uma Ferida Antiga, Agora Mais Exposta
Um Debate Urgente!
O ano de 2025 expõe de forma contundente uma chaga antiga da sociedade brasileira: o racismo religioso. Embora não seja um fenômeno novo, sua escalada recente revela uma combinação tóxica de intolerância, desinformação, fundamentalismo e uma disputa crescente por narrativas de poder no espaço público. O alvo preferencial continua sendo as Religiões de Matriz Africana — Umbanda, Candomblé e suas diversas nações — que seguem enfrentando ataques simbólicos, físicos e institucionais.
Trata-se de um racismo que se expressa de forma particular: é étnico, cultural e espiritual. Quem ataca não está apenas criminalizando uma prática religiosa; está reafirmando a hierarquia racial que estrutura o país desde a escravidão. Por isso, falar em “intolerância religiosa” é insuficiente. O termo higieniza e dilui a dimensão racial — e, consequentemente, a violência — que fundamenta esses ataques. O Brasil não vive apenas episódios de desrespeito entre crenças, mas um processo de perseguição à herança africana.
A intensificação de ataques a terreiros, frequentemente motivados por discursos de ódio que circulam livremente em redes sociais e em grupos religiosos radicais. Em muitos casos, líderes espirituais negros se veem obrigados a abandonar suas casas de culto por medo de represálias. A criminalização simbólica, promovida por segmentos fundamentalistas que associam práticas de matriz africana ao mal, ao “demoníaco” ou ao crime. Esse discurso, embora repugnante, não nasce espontaneamente: ele é alimentado por influenciadores digitais, figuras políticas e pela crescente mercantilização de uma teologia da guerra espiritual.
A negligência do Estado, que segue falhando em proteger comunidades vulneráveis e não avança com políticas públicas que reconheçam o caráter estrutural do racismo religioso. A legislação existe, mas sua aplicação é frágil, lenta e frequentemente atravessada por preconceitos.

Parte da escalada do racismo religioso decorre do crescimento de correntes religiosas que utilizam a fé como instrumento de poder político. Em 2025, essa disputa se intensifica: de um lado, grupos organizados tentam controlar a narrativa moral e cultural do país; de outro, tradições ancestrais lutam para sobreviver e serem reconhecidas como parte essencial da identidade brasileira.
A demonização da cultura afro-brasileira não é acidental — é estratégica. Ao associar práticas negras à criminalidade ou ao “desvio moral”, reforça-se um projeto de sociedade que privilegia a cultura branca e apaga as contribuições africanas para a formação nacional. A violência aos terreiros, nesse sentido, é uma violência à memória coletiva.
O debate é urgente! O racismo religioso não corrói apenas templos, imagens e objetos sagrados; corrói vidas. Atinge crianças impedidas de usar seus fios-de-contas na escola, mães de santo ameaçadas, pais de santo difamados, jovens que escondem sua fé para evitar humilhações. Atinge a própria pluralidade que sustenta a democracia.
Em 2025, criticar essa escalada torna-se uma necessidade ética. O país só será verdadeiramente plural quando todas as expressões de fé tiverem espaço e proteção — sobretudo aquelas historicamente perseguidas por carregar a ancestralidade negra. A luta contra o racismo religioso não é apenas das religiões afro-brasileiras. É da sociedade inteira. Defender um terreiro é defender o Brasil profundo, criativo, diverso e ancestral. É impedir que a intolerância se torne regra e que a violência — física ou simbólica — decida qual fé é legítima.
E, acima de tudo, é reconhecer que combater o racismo religioso é combater o próprio racismo estrutural que molda o país desde sua origem.
Jeff Soares

Músico
Jornalismo
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
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