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Porque para Deus nada é Impossível… (Lucas 1:36) "Inclusive a Inexistência Dele"

[...] mesmo não acreditando em nenhum ser supremo que dê sentido para as nossas vidas, acredito que possamos dar sentido à nossa existência.

Porque para Deus nada é Impossível… (Lucas 1:36) "Inclusive a Inexistência Dele"
Imagem Internet/Unsplash

Ser ateu é um ato de coragem. É muito mais fácil aceitar uma crença, acreditar que está vivendo por um propósito imposto por um Deus superior, no qual irá te perdoar acima de qualquer ato realizado e ainda irá te recompensar imensamente no fim da vida, por simplesmente não ter sido um cuzão.


Não são todos que podem viver plenamente com o pensamento de que somos, vivemos e morreremos pelo fruto do acaso. É duro demais pensar que no fim, passamos por todas as dificuldades que a vida traz sem nenhum grande motivo, sem nenhuma grande causa e principalmente, sem ganhar nada em troca.


Acreditar em uma entidade superior, seja Deus, Deuses, Allah, Buda, Ankou ou demais diversos que existem, servem todos a um propósito: trazer conforto e esperança para a população. Eu não acredito na existência de nenhum deles, mas não nego a importância deles na crença popular. Assim como quando contavam a nós quando éramos crianças sobre histórias mirabolantes a fim de nos tornarem pessoas mais empáticas, justas, confiantes, acredito que a religião vem com o mesmo papel. E se cumpre com o mesmo, para mim já se justifica a existência.


Mas há algo que sempre me incomodou em religiões, principalmente as cristãs - a necessidade de impor a importância da sua crença acima da crença do próximo. Para estas pessoas, não basta que elas acreditem, elas precisam fazer com que o mundo inteiro acredite, seja porque querem que você não vá para o suposto inferno que pensam existir - isso se tiverem mesmo esse ponto de empatia verdadeiramente - ou porque não toleram diferenças. Não toleram a existência da possibilidade de outra certeza sem ser a sua.


Ora, para mim, se existem 100 religiões e eu sou ateia, significa que não acredito nas 100. Se você tem uma religião, significa que acredita em 1 e é ateu das demais 99. É um chute muito pouco preciso, que precisa levar em consideração muitos fatores regionais, tais como: local de nascimento, histórico familiar, experiências individuais, dentre outros milhões de fatores.




Uma dúvida que pode estar se perguntando: Se eu não sei quem está certo ou não, dentre as estimadas 10 mil religiões existentes, porque não chuto em alguma para ter alguma possibilidade?


Por que não seguir a dita “Aposta de Pascal’’? (se eu não acreditar em um Deus e ele realmente existir - vou sofrer as consequências, se eu escolher acreditar e não existir, não vou perder nada). Porque infelizmente, sempre fui uma criança extremamente teimosa. Não gostava que tomassem uma decisão sem antes me explicar, não aceitava ser punida sem entender o motivo e nunca tive fé, sempre necessitei de uma comprovação. Resumindo: nunca fui apta para ter uma crença por não ser possível de acreditar. Talvez eu já tivesse alma de cientista antes mesmo de saber o que significava.


Existem diversas religiões e, em toda história da humanidade, nenhum povo foi capaz de trazer 100% de certeza de qual seria a certa. Justamente por isso, não tem justificativa trazer o que faz sentido a você acima do que faz sentido para o próximo. Já que a religião é praticamente voltada em ter fé, acreditar, fazer sentido conforme a sua realidade, não é justo querer privar os demais da possibilidade de se encontrarem na que melhor fará sentido e trará conforto diante da realidade na qual este indivíduo está inserido.


Quanto mais eu pesquiso sobre as religiões, mais tenho certeza que estes crentes fervorosos não conhecem o que tanto pregam. Se afinal, “Amar o próximo como a ti mesmo” é encontrado no Novo Testamento 5 vezes (Mateus 22:39, Marcos 12:31, Romanos 13:9, Gálatas 5:14 e Tiago 2:8) no Velho Testamento (Levítico 19:18) e até sendo citado como Segundo Mandamento, porque é tão difícil de ser seguido e compreendido? Teria maior ato de amor do que respeitar o que para o próximo o faz bem?


No fim do dia, mesmo não acreditando em nenhum ser supremo que dê sentido para as nossas vidas, acredito que possamos dar sentido à nossa existência. E mesmo que tenha sido por um grande acaso, fico feliz de poder saber que sou composta de aleatoriedade e poeira de estrelas.






Isa Alvarez

Médica Veterinária

Colunista

Apresentadora

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