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Uso Medicinal da Cannabis no Brasil

Avanços, Desafios e o Papel no Tratamento da dor

Uso Medicinal da Cannabis no Brasil
Imagem Internet/Unsplash

Nos últimos anos, o uso medicinal da cannabis e de seus derivados — especialmente para o alívio da dor crônica e outras condições clínicas — tem se tornado um tema cada vez mais presente na medicina, na política pública e na sociedade brasileira. O debate envolve desde a evidência científica sobre os benefícios até a regulamentação legal e política de acesso a esses tratamentos.


Cannabis Medicinal e Dor: O Que Dizem As Pesquisas

A cannabis contém inúmeros compostos farmacologicamente ativos, entre os quais se destacam o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC). Na medicina, os derivados com maior uso clínico são os produtos ricos em CBD, que não causam efeito psicoativo, e formulações balanceadas de CBD e THC que podem ajudar em condições dolorosas crônicas.


Estudos e debates médicos apontam que cannabinoides podem ser úteis como coadjuvantes no tratamento da dor, especialmente quando outras terapias convencionais mostram eficácia limitada ou causam efeitos colaterais intensos. A Sociedade Paulista de Anestesiologia (SAESP), por exemplo, concluiu que produtos à base de cannabinoides têm potencial em manejo da dor, ressaltando, porém, a necessidade de prescrição criteriosa por profissionais qualificados e cautela na escolha dos pacientes.


Especialistas destacam que há melhores evidências para alguns tipos de dor neuropática e crônica, mas que o uso em dor aguda ou câncer ainda carece de mais estudos precisos. A indicação deve sempre considerar benefícios e riscos, como interações medicamentosas e resposta individual ao tratamento.




Como a Política Pública Brasileira Trata O Uso Medicinal

No Brasil, o uso medicinal da cannabis já é legal sob condições específicas, mas o arcabouço regulatório ainda está em evolução. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classificou desde 2019 uma categoria específica de “produtos à base de cannabis” que podem ser vendidos por farmácias mediante prescrição médica — um avanço em relação à proibição anterior.


Até o início de 2026, diversas mudanças regulamentares estavam sendo implementadas com o objetivo de ampliar o acesso desses medicamentos, principalmente expandindo as formas de administração do medicamento e a autorização para importação e a produção controlada por empresas e associações qualificadas.


Apesar desses avanços, o cultivo doméstico para fins medicinais ainda não é amplamente permitido sem controle, e a análise de acesso mais amplo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ainda depende de políticas públicas mais robustas e de avanços legislativos. Projetos de lei tramitam no Congresso para estabelecer uma política nacional de fornecimento gratuito de medicamentos à base de cannabis pelo SUS, com critérios técnicos e sociais, mas ainda não foram totalmente implementados.




Debate Político e Regulamentação em Discussão

O tema tem sido objeto de debates no Congresso Nacional, com propostas legislativas que tratam não só da prescrição e acesso, mas também da produção e do controle sanitário dos derivados de cannabis. Entre elas está o PL 89/2023, que prevê uma política nacional mais ampla para distribuir medicamentos com derivados vegetais de cannabis pelo SUS, incluindo o uso por pessoas sem condições financeiras de adquirir esses remédios.


O Conselho Nacional de Política sobre Drogas (Conad) também aprovou recomendações para regulamentar o cultivo da cannabis medicinal e do cânhamo para fins médicos e científicos, o que pode facilitar a expansão da oferta e reduzir custos para pacientes.


Ao mesmo tempo, o tema ainda enfrenta resistências políticas e sociais, muitas vezes associadas ao uso recreativo da planta, o que torna a discussão mais complexa e interligada a questões culturais e ideológicas no país. Embora o uso medicinal da cannabis esteja legalizado de forma controlada no Brasil, ainda persistem desafios importantes, como o acesso mais amplo pelo SUS sem a necessidade de judicialização, a pesquisa científica contínua, a redução dos custos e a capacitação médica para prescrição.


Enquanto a política de saúde pública brasileira busca equilibrar inovação terapêutica e segurança sanitária, pacientes com dores crônicas e outras condições incapacitantes observam com atenção as mudanças, na esperança de que tratamentos baseados em cannabis possam se tornar opções mais acessíveis e eficazes no futuro.






Jeff Soares

Jornalismo

Músico

Apresentador do Aqui de Casa Podcast

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