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Tocando Agora:

O Gosto de Sempre, Com A Intensidade do Novo

[...] entre lençóis, não há passado nem futuro

O Gosto de Sempre, Com A Intensidade do Novo
Imagem Internet/Unsplash

Dizem por aí que depois de anos de relacionamento o sexo esfria. Eu rio. Quem fala isso nunca me viu na cama. Nunca entendeu que fogo não depende de novidade, mas de vontade. E eu tenho vontade de sobra.


O tempo passa, é verdade. O corpo muda, a rotina pesa, as obrigações se acumulam. Mas a cada vez que meu marido me olha daquele jeito, eu lembro que o tesão também amadurece. Se no início tudo era pressa e urgência, hoje é explosão com cálculo. É como um vinho que descansa anos até ficar no ponto: mais encorpado, mais intenso, mais inesquecível. Não me contento com a desculpa de que a vida atrapalha. Trabalho, filhos, cansaço — sempre haverá algo para distrair. Mas o fogo? Ah, esse eu alimento todos os dias. Com um toque na hora certa, um sussurro atravessado no ouvido, uma roupa escolhida não para a rua, mas para a hora em que a porta se fecha. Eu preparo terreno como quem planta incêndio.


E quando chega a hora, eu não quero só o sexo de sempre. Eu quero o nosso sexo, aquele cheio de história, de cumplicidade, de segredos que só nós dois sabemos. Quero provocar até arrancar nele não apenas gemidos, mas memórias de todas as vezes que já queimamos juntos. É delicioso reconhecer cada curva como se fosse nova, reinventar posições que já conhecemos, explorar o corpo dele com a malícia de quem não tem medo de ousar. Há quem diga que depois de anos o corpo perde o interesse. O meu, não. O meu aprende a desejar melhor. Aprendeu a prolongar o toque, a usar o silêncio, a transformar um beijo comum em pura provocação. O prazer hoje não é correria — é maratona. Mas uma maratona em que a linha de chegada só existe quando os dois estão sem fôlego.


No fundo, manter o fogo depois de muito tempo é simples: é não deixar o outro esquecer que, além de esposa, eu continuo sendo amante. Que, além da rotina, existe a transgressão. E que, entre lençóis, não há passado nem futuro — só o presente, queimando sem pudor.


Eu quero mais, sempre mais. Porque o sexo depois de anos juntos não precisa ser morno. Pode, sim, ser vulcão. E eu sou a primeira a jogar a lava.






Ninha Sousa

Colunista 

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