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Tocando Agora:

Sílvio Santos

“Do mundo não se leva nada. Vamos sorrir e cantar!”

Sílvio Santos
Imagem Divulgação

“Do mundo não se leva nada. Vamos sorrir e cantar!”

E é com uma frase perdida no seu jingles que começamos a nossa homenagem a o maior Comunicador da televisão brasileira, que nos deixou neste último sábado (17), em São Paulo, em decorrência de uma broncopneumonia após infecção por Influenza A (H1N1). Sílvio Santos morreu aos 93 anos, deixando Sílvio deixa viúva, 6 filhas, 4 netos e 14 bisnetos.

Conhecido como o homem do Baú da Felicidade, Sílvio Santos nasceu na Lapa, no Rio de Janeiro, em 1930. Senor Abravanel - seu nome de batismo - era filho de imigrantes judeus e tinha cinco irmãos. Dono de uma voz e risada marcantes, a história dele se confunde, desde os anos 60, com a da própria televisão no Brasil.



Aos 14 anos, começou a trabalhar como camelô, no centro do Rio. Pego por um fiscal da prefeitura, que enxergou talento no vendedor, Abravanel foi levado pela primeira vez para fazer teste em uma rádio. Começava aí a carreira do comunicador. Aos 18 anos, em 1948, serviu o Exército na Escola de Paraquedistas. Aos domingos, trabalhava no rádio e, ao deixar a Força, seguiu com os serviços de locução, fazendo, entre outras coisas, anúncios com uma caixa de som na barca que liga o Rio a Niterói. Em 1954, já em São Paulo, Sílvio assinou o primeiro contrato fixo como locutor, na Rádio Nacional. Depois, foi chamado pelo empresário e radialista Manuel de Nóbrega (pai de Carlos Alberto de Nóbrega e criador da Praça é Nossa) para ser animador de seu programa. Em 1958, se tornou seu sócio na empresa Baú da Felicidade, que vendia brinquedos a prazo.

Na década seguinte, passou a apresentar programas televisivos na antiga TV Paulista, que foi adquirida posteriormente pela TV Globo. Seus primeiros passos na televisão foram no programa “Vamos brincar de forca”. Na década de 1960 tem início o programa com seu nome na TV Globo, o Programa Sílvio Santos, que inicialmente era exibido apenas para a praça de São Paulo. A atração só passaria a ser transmitida em rede nacional em 1969. O programa tinha oito horas de duração e tornou o apresentador uma das estrelas da TV brasileira.



Em 1975, uniu de vez as carreiras de apresentador e de empresário. O então presidente da República Ernesto Geisel assinou a outorga de um canal de TV no Rio de Janeiro, nascia então a TVS, embrião para a fundação, em 1981, do SBT. Em agosto de 1976, uma semana depois de deixar a Globo, o Programa Sílvio Santos passou a ser exibido na TVS. No mesmo ano também foi marcado pela formalização de um acordo onde o Programa Sílvio Santos era transmitido pela Rede Tupi, TVS e TV Record. No SBT, apresentou programas que fizeram história na televisão brasileira, como Show de Calouros, Porta da Esperança e Topa Tudo por Dinheiro. Sílvio passava várias horas no ar todos os domingos, recebendo pessoas comuns que participavam de gincanas variadas, geralmente em troca de pagamento em dinheiro.

Mas nem só de louros e sucesso vivia essa grande celebridade. Ao logo da vida ele se envolveu em várias disputas e causas polêmicas. Dono de uma autenticidade ímpar, aliado a sua enorme sinceridade já deixou muitos artistas constrangidos com seus comentários ácidos e até considerado tóxicos. Já como empresário arrojado e sem medir esforços para atingir seus objetivos, protagonizou brigas de décadas até com áreas que envolviam diretamente sua área de atuação, como a Cultura: a polêmica construção de três arranha-céus ao lado do Teatro Oficina, criado por Zé Celso e estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Temendo que o prédio prejudicasse o espaço cênico, Zé Celso decidiu entrar na Justiça contra o empreendimento.


Sílvio e Zé Celso em uma das inúmeras
reuniões para a resolução da disputa.

Até em seus pedidos derradeiros esse mestre da comunicação demonstra sua enorme criatividade. O mais inusitado foi seguir a programação infantil ao invés da cobertura de sua partida, deixando a alternativa perfeita para quem não tinha interesse em acompanhar os noticiários.

Essa parte da programação tinha um carinho especial pelo comunicador. “Não me interessa se estou perdendo dinheiro, porque para mim exibir desenhos é uma obrigação para com as crianças. O SBT não está aqui só para fazer dinheiro. Se quiserem tirar os desenhos da grade depois que eu morrer, fiquem à vontade". Devemos a Ele nossa gratidão por preservar o lúdico, a fantasia e a leveza que acompanhou muitas décadas, mantendo na grade por muito tempo, programas como o Chaves e o Chapolin Colorado.

"Chaves" e "Chapolin" estrearam em 1984 na programação infantil do SBT, e foram exibidos até 2020. Os programas foram retirados do ar por conta do fim do contrato entre a Televisa, distribuidora e dona das fitas do programa, com Roberto Gomez Fernandéz, filho de Bolaños e dono dos direitos intelectuais.

A Sílvio Santos nosso muito obrigado. Não só pela contribuição ao entretenimento Brasileiro, mas por nos provar que podemos ser grandiosos dentro da maior sinceridade!!! O céu está em festa sim ao recebê-lo. Aqui ficamos com a lembrança da sua alegria e descontração!


por
Edna Loreto

Médica Veterinária e Escritora

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