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Caminho Negro Ancestral

Rota da Memória, Oralidade e Religiosidade da População Negra do Extremo Sul do Brasil

Caminho Negro Ancestral
Íya Jaqueline D’Esú Baomí

Iniciamos a contar um pouquinho de nossa caminhada, por aqui vocês acompanharão um pouco do que pensamos rumo a Reparação Civilizatória da População Negra no Brasil.


Caminho Negro Ancestral: Rota da Memória, Oralidade e Religiosidade é uma iniciativa fundamental para a preservação e a visibilidade da presença africana e afro-brasileira no extremo sul do Brasil, especificamente na região de Pelotas e arredores. Diferente de uma rota turística comum, esse trajeto é um exercício de reparação histórica e reconhecimento de territórios que foram, por muito tempo, silenciados pela historiografia oficial.


A Essência do Caminho

A rota conecta pontos geográficos e simbólicos que narram a resistência e a cultura da população negra. Ela se fundamenta em três pilares principais:


Memória: O resgate da história das Charqueadas, onde o trabalho escravizado foi o motor econômico da região, mas também o local de insurgências e manutenção de identidades.


Oralidade: A valorização do saber passado de geração em geração. No Extremo Sul, a fala dos Griôs e dos mestres de batuque é o que mantém viva a cronologia que os livros muitas vezes ignoram.


Religiosidade: O reconhecimento do Batuque do Rio Grande do Sul, uma manifestação religiosa única, e a salvaguarda de terreiros e espaços sagrados que servem como centros de acolhimento e resistência comunitária.


Por que esta rota é vital?

Historicamente, o Rio Grande do Sul construiu uma imagem de identidade majoritariamente europeia. O Caminho Negro Ancestral confronta esse mito, revelando que a "alma" do sul também é negra. Ao percorrer esses espaços — que incluem desde antigos quilombos urbanos até locais de celebração religiosa — o visitante ou pesquisador compreende que a ancestralidade negra não está no passado, mas viva nas práticas cotidianas, na culinária e no ritmo do tambor de sopapo.


Essa iniciativa transforma a dor do período escravocrata em um manifesto de afirmação e orgulho, garantindo que as futuras gerações reconheçam o extremo sul como um território de profunda herança africana.






 Equipe Íya Jaqueline D’Esú Baomí

Centro Cultural Ilê Bará e Xangô

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