É Carnaval mas “Não é Não”
A Campanha que quer transformar o Carnaval em um espaço de respeito e segurança!
Com a chegada do Carnaval 2026 — que oficialmente começa nesta semana — cresce também a presença de campanhas de conscientização voltadas ao respeito, à prevenção da violência e ao enfrentamento da importunação sexual, sob o slogan já conhecido de muitas edições anteriores: “Não é Não”.
A ideia central da campanha é simples e direta: qualquer forma de contato ou aproximação sem consentimento é inaceitável, e esse princípio deve valer especialmente durante o Carnaval, quando milhões de foliões se reúnem nas ruas, blocos e desfiles. Essa mensagem, que surgiu em anos anteriores como resposta ao alto número de casos de importunação e assédio em eventos de grande público, ganha reforço em várias regiões do país nessa temporada carnavalesca.
Ações em várias cidades e a tradição do “Não é Não”
Em capitais como Curitiba, por exemplo, a campanha foi iniciada já no pré-Carnaval, com equipes da Secretaria Municipal da Mulher e Igualdade Étnico-Racial distribuindo informações e orientando foliões nos blocos e no Centro da cidade sobre a importância de respeitar limites e combater não apenas a importunação sexual, mas também o racismo e a LGBTfobia.
Além disso, em locais como Vitória (Espírito Santo), a estratégia “Não é Não” marcou presença com ações interativas durante os desfiles no Sambão do Povo, reforçando o enfrentamento ao assédio e a importância do consentimento. Em Porto Velho, no estado de Rondônia, equipes do Ministério Público promoveram adesivações e atividades em espaços públicos como a rodoviária da capital para amplificar a mensagem de prevenção à violência contra mulheres nesta época de festas. Paralelamente, em Santa Catarina, o Ministério Público (MPSC) reforça em seus alertas que a consigna “Não é Não” se apoia em normas legais que consideram a importunação sexual como crime, lembrando que o respeito deve acompanhar a folia desde o início até o fim.

A campanha “Não é Não” — embora tenha diferentes nomes, formatos e instituições por trás em cada estado — dialoga com outras iniciativas em nível federal que também buscam reduzir a violência de gênero e promover a segurança no Carnaval. Entre essas está a campanha nacional lançada pelo Governo Federal, o Pacto Nacional Contra O Feminicídio, que reforça o direito das mulheres de participar da festa sem sofrer violência e incentiva a denúncia por meio da Central de Atendimento à Mulher.
O enfoque em educação, respeito e denúncia é parte de uma estratégia mais ampla durante o Carnaval, que em 2026 também inclui outras campanhas de prevenção — como as que tratam da proteção contra racismo e exploração de crianças, por exemplo — demonstrando a tentativa de articular políticas públicas e conscientização social em um dos maiores eventos culturais do país.
Mais Segurança, Mais Festa
Especialistas e ativistas destacam que campanhas como o “Não é Não” não são um entrave à alegria da folia, mas um complemento essencial: elas lembram que respeito e consentimento não tiram a diversão, pelo contrário — tornam o Carnaval um ambiente mais acolhedor e seguro para todas e todos. À medida que as principais festas se aproximam, as ações de comunicação, distribuição de materiais, intervenções educativas e parcerias entre órgãos públicos e sociedade civil pretendem reforçar essa mensagem nas ruas, nos palcos e nas avenidas do país.
O Carnaval é, para muitas pessoas, o maior palco de celebração do Brasil — e a campanha “Não é Não” chega este ano com um objetivo claro: garantir que a festa seja de alegria, liberdade e respeito para todos os foliões.
Jeff Soares

Jornalismo
Músico
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
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