Carlos Santana - Debate Sobre A Centralidade da Música Africana na Música Mundial
E ele está certíssimo!
O lendário guitarrista Carlos Santana, vencedor de múltiplos Grammys e integrante do Rock and Roll Hall of Fame, voltou a provocar reflexão ao destacar aquilo que, segundo ele, ainda é subestimado no debate cultural: a centralidade da África na formação da música popular mundial.
Em uma declaração recente, Santana foi direto ao ponto ao afirmar que grande parte do que hoje se rotula como música “latina” ou “hispânica” tem, na essência, raízes africanas profundas. Para o músico, reconhecer essa origem não é apenas uma questão histórica, mas também de justiça cultural. “A música que muita gente chama de latina ou hispânica é, na real, africana”, afirmou, defendendo que o povo negro precisa — e merece — receber o devido crédito por essa herança sonora que atravessa séculos.
Para sustentar seu argumento, Santana mencionou a base rítmica dos sons afro-cubanos, o legado do reggae imortalizado por Bob Marley e, sobretudo, o papel central da percussão africana. Segundo ele, elementos como os tambores, a síncope, o balanço corporal e a espiritualidade musical são fios condutores que conectam gêneros diversos como salsa, samba, merengue, reggaeton, jazz e blues.
O guitarrista enfatizou que essa presença africana não surgiu por acaso, mas é resultado direto de processos históricos ligados à diáspora africana e às intensas trocas culturais forçadas e voluntárias ao longo dos séculos. Para Santana, compreender essa trajetória é fundamental para dar visibilidade às contribuições negras que moldaram a música global. “Nada disso é coincidência. É história em movimento”, reforçou o artista. “Reconhecimento importa. Crédito importa. A cultura viaja, mas as origens permanecem.”
A fala de Santana reacende um debate cada vez mais urgente sobre identidade, pertencimento e reparação histórica na indústria musical. Mais do que uma provocação, sua mensagem funciona como um lembrete contundente: a marca da África na música do mundo não é um detalhe periférico — é parte estrutural do próprio fundamento sonoro que move gerações.
Jeff Soares

Jornalismo
Músico
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
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