U2 — Days of Ash: Crítica Faixa à Faixa do Novo EP
A Banda promete um novo álbum ainda para esse ano!
Após um longo hiato criativo, o U2 retorna com Days of Ash, um EP curto, mas conceitualmente denso. O trabalho aposta menos na grandiosidade de arena e mais na reflexão política e espiritual — terreno que a banda conhece como poucas.
1 - American Obituary
A abertura já deixa claro o tom do EP. “American Obituary” surge sombria, minimalista e remetendo as canções do início da carreira da banda, construída sobre camadas atmosféricas e uma interpretação vocal carregada de luto e protesto. A letra é uma crítica a morte de Renee Nicole Good pelo ICE do governo Trump, em 07 de Janeiro de 2026. É crítica social direta, porém poética, densa e provocativa. Com certeza vai se tornar um dos hinos da banda nos próximos anos! Me emocionou! É o velho U2!
2 - The Tears of Things
Aqui o U2 mergulha no território literário, inspirando-se em Richard Rohr, frei franciscano. A música traz um respiro depois da poderosa faixa de abertura. Porém, trata-se de uma critíca ao fundamentalismo religioso “quando as pessoas andam por aí falando em Deus, isso sempre acaba em lágrimas”. A faixa é reflexiva, tem uma produção moderna, guitarras étereas, mas sem parecer datada.
3 - Song of the Future
Uma das mais interessantes do EP. A produção moderna também dialoga com o passado sem parecer nostálgica. Elementos eletrônicos discretos que dão um certo frescor ao arranjo. A música é uma homenagem ao movimento “Mulheres, Vida, Liberdade” no Irã, principalmente focada em Sarina Esmailzadeh, jovem de 16 anos morta pelas forças de segurança iranianas em 2022.
A letra olha para frente — traz esperança em meio ao caos — e funciona como contraponto temático ao pessimismo inicial do EP. Com toda certeza a canção com uma pegada mais comercial do trabalho e isso é um ponto positivo, vai fazer U2 voltar a tocar nas Rádios!

4 - Wildpeace
A faixa é um interlúdio falado, trata-se do poema do escritor israelense Yehuda Amichai, que é lido pela cantora nigeriana Adeola, em cima de uma ambientação criada pela banda.
“Um pouco de descanso para as feridas — quem fala em cura?
E o uivo dos órfãos passa de geração
em geração, como numa corrida de revezamento:
o bastão nunca cai.”
5 - One Life at a Time
Momento mais humano e intimista do EP. A banda desacelera para uma reflexão quase pastoral sobre empatia e sobrevivência individual em tempos turbulentos. Faixa dedicada ao ativista e professor palestino Awdah Hathaleen, morto na Cisjordânia em 2025. A ideia surgiu após Bono Vox assistir o documentário “No Other Land” vencedor do Oscar. É uma das composições mais honestas do EP e mostra o U2 com maturidade, pedindo pela justiça sem violência. Emocionante!
6 - Yours Eternally
Yours Eternally encerra o EP de forma épica, flertando com o novo, refrão pegajoso, participação de Ed Sheeran e Tara Tapolia da banda ucraniana, Antylia ― que inclusive esteve nas trincheiras da guerra contra a Rússia, Nadya Talokonnikova da banda, Pussy Riot e do lendário, Bob Geldof. É um hino moderno de resistência!
“Não durma, nem pense nisso
Não precisa, talvez um pouquinho
Ainda sonho, Em acordar livre
O máximo que pudermos ser...”
Days of Ash não é um retorno explosivo como alguns fãs esperam — é um manifesto contemplativo. Conseguimos sentir o flerte com a sonoridade que fez a banda se tornar gigantesca no passado e é um alento para os acontecimentos geradores de violência pelo mundo. O trabalho também marca o retorno do baterista Larry Mullen Jr. após cirurgia na coluna. J´´a estou na espera e animado para o novo álbum!
Jeff Soares

Jornalismo
Músico
Apresentador do Aqui de Casa Podcast
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